Na Avenida de Deuteronômio 8


- Texto da reflexão: E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus tem te conduzido durante estes quarenta anos no deserto, a fim de te humilhar e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Sim, ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que nem tu nem teus pais conhecíeis; para te dar a entender que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor, disso vive o homem (Dt. 8.2-3).
Há um filme de uma história verídica de “Dawn Anna". Uma inesquecível históriade amor, adversidade e superação. Dawn Anna é o comovente testemunho do poder do amor e da família perante as dificuldades da vida. Ela é mãe solteira, luta por encontrar um trabalho como professora para poder sustentar os seus 4 filhos. Quando finalmente consegue esse trabalho como professora e treinadora e inicia uma relação com uma pessoa que ela conhece, subitamente se abate sobre ela uma debilitante doença.
Após uma complicada cirurgia, ela se vê forçada a aprender a falar e a andar de novo. Por fim, a desgraça volta a bater-lhe à porta, mas desta vez se trata de uma tragédia nacional que choca o mundo inteiro. Dawn terá de concentrar toda a sua força interior e o amor da família que criou para conseguir ultrapassar esta inacreditável tragédia e heroicamente continuar com a sua vida.
Esta recente tragédia ocorrida afetou a vida dela e da sua família. Ela esteve balada anteriormente e agora fica decepcionada com a morte da sua filha de apenas 16 anos de idade. Mas, o que chama a atenção é ela não pega atalhos para enfrentar esta dor. Apesar de todo sofrimento e angústia, ela transforma a dor em algo positivo.
Quando caminhamos em Dt. 8, percebemos que as palavras nos convidam para uma leve tentativa de nos desviar, de pegarmos atalhamos. Porque não gostamos muito de palavras como: humilhar, provar e ter fome (Dt. 8.2-3). Então preferimos os atalhos humanos que nos permitem pelo menos fugir das podadas espirituais que Deus nos traz por meio da provação e sofrimento.
O texto nos aponta algumas placas divinas para seguirmos e que nos ajudarão a passar pela Avenida com um coração disposto a aprender o moldar e trabalhar de Deus na nossa vida.
A primeira placa divina é:

·Humilhação: 


O texto fala que era para o povo se lembrar de todo o caminho pelo qual o Senhor Deus tem o conduziu nos quarenta anos no deserto. E o fim de tudo era para humilhá-lo. Quando estudamos o termo humildade, percebemos que ele consiste em não se querer “alcançar coisa alguma, nem estados de recolhimento nem a calma absoluta”, mas em “nos abandonarmos inteiramente nas mãos do eterno Deus como diz Anselm Grun no seu livro Exigências do Silêncio. Humildade aqui implica em uma atitude de resposta à experiência de Deus e da própria fraqueza e impotência perante ele. Trata-se, pois, de um presente, que o homem não é capaz de conseguir com suas próprias forças.
A humilhação que vem da parte de Deus para o povo de Israel é para lutar e combater o grande vício de querer andar sozinho e depender de si mesmo. Deus manda a humilhação para Israel aprender que só pode ser conduzido pelo poder de Deus. Só pode experimentar um caminho seguro naquele deserto com a presença de Deus. Ele faz isto conosco, ele nos aponta a placa divina da prática da humildade para que reconheçamos a ação dele na vida.
Às vezes, ele nos coloca em alguns caminhos que trazem grandes sofrimentos para o coração, mas são os caminhos de tratamento do caráter e dependência total dele. São caminhos que moldarão o nosso temperamento, o nosso coração para uma maior comunhão diante do Deus soberano.
É interessante quando olhamos para o próprio Deus sendo moldado por meio da humilhação. Ele é o modelo de dependência do Pai. Jesus Cristo de Nazaré. Ele passa por uma humilhação que faz a sua vida passar pela cruz em submissão diante do Pai e dos seres humanos. Ele foi servo em humildade diante de todos.
A vida do nosso mestre foi de cruz, e humilhação, serviço e submissão. Ele abriu mão de posição e status da sua glória por causa desta palavra: humilhação. Por isso, o profeta Isaías fala que ele foi homem de dores, desprezado, oprimido e humilhado, mas não abriu a sua boca (Is. 53.3 e 7).

A segunda placa divina é:

·Provação: 


O texto fala que a provação era para o povo saber o que estava no coração, se guardaria ou não os mandamentos. Provação quer dizer teste. A Bíblia mostra claramente que as provas revelam o nosso verdadeiro caráter. A Bíblia diz em II Crônicas 32.31: Contudo, no negócio dos embaixadores dos príncipes de Babilônia, que lhe foram enviados a perguntarem acerca do prodígio que fora feito na sua terra, Deus o desamparou para experimentá-lo, e para saber tudo o que havia no seu coração.
A palavra aqui experimentar é a mesma que testar ou provar. Então aprendemos que as provas nos dão oportunidades para desenvolver o nosso caráter, com a ajuda e com a graça marcante de Deus na vida. A Bíblia diz no Salmo 11.5: O Senhor prova o justo e o ímpio. Lembro-me do texto de Gn. 22.1: Depois disto, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse...
A proposta que Deus faz é: Toma teu filho: A ênfase é no teu. Nenhuma alternativa ou substituto foi permitido. O filho prometido, nascido de sua esposa Sara, o filho longamente esperado que nasceu através de uma intervenção miraculosa de Yahweh na vida da estéril Sara, tinha que ser entregue no sacrifício. Teu único filho: Abraão tinha outros filhos, de Hagar e Quetura. Mas Isaque era o único filho nascido de seu casamento com sua primeira e única esposa reconhecida adequadamente, Sara. Isaque também era o único que, como semente de Abraão e Sara, continuaria a linhagem da semente pactual. Isaque representava a recompensa do Deus de Abraão (Gn 15.1). Isaque representava o futuro de Abraão, social e espiritualmente. A quem amas: Deus reconhecia o forte vínculo paterno entre pai e filho.
O coração de Abraão estava preso no mais poderoso, mais delicado e valorizado relacionamento que poderia existir entre pai e filho. Só que mesmo assim, Deus testou Abraão, provou qual era verdadeiramente o affectus (afeição) de Abraão. E Abraão como vice gerente da aliança, ele foi em direção a ordem de Deus.
O texto diz no versículo 3 que ele se levantou de madrugada e preparou tudo. No versículo 4 diz ele foi ao lugar. E no versículo 9 diz que ele amarrou o seu filho amado, o filho da promessa e o deitou no altar em cima da lenha. E no versículo 10 diz que ele estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o seu filho. Este homem de Deus segue a placa divina do teste espiritual. Deus nos convida para o mesmo exercício na Avenida do capítulo 8 de Deuteronômio. E uma placa que ele nos ensina a olhar é a da provação. Para que aprendamos a entregar tudo para Deus.

A terceira placa divina é:

·Entendimento: 


O texto diz que tudo isto aconteceu para o povo entender que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor. Isso é uma verdade na nossa vida! Deus nos faz ver esta placa divina para termos compreensão de que na vida não podemos andar só. Dependemos de alguém maior do que nós. Não conseguimos passar pelas lutas sem a direção e graça de Deus. E só entendemos isto quando o nosso coração é sensível para compreender que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor.
Jamais peguemos atalhos quando estivermos na Avenida da humilhação, da provação e da dor! (
Alcindo Almeida).

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1 comentários

  1. caro Pastor, precisava de uma reflexao pois fui disciplinada no meu ministerio e fui mt abençoada com essa mensagem, que Deus possa continua te abeçoando ricamente...mt obrigado

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