Muita gente viu Terra das Sombras, o filme do diretor Richard Attenborough que narra um episódio da vida de C. S. Lewis, o conhecido pensador cristão irlandês. O episódio em questão foi a doença e morte de Joy Davidman, a esposa de Lewis. O que o filme não consegue apresentar é mostrado em Anatomia de uma dor (A grief observed), um dos mais recentes lançamentos da Editora Vida. A propósito, vale lembrar que a Vida elegeu 2006 como o “Ano C. S. Lewis”. Iniciativa que sem dúvida merece elogios, já que Lewis foi um dos mais significativos escritores cristãos do século passado. Anatomia de Uma Dor apresenta as reflexões de Lewis após perder sua esposa. Interessante observar que alguns anos antes Lewis havia escrito O Problema do Sofrimento (The problem of pain), no qual refletira sobre diversos aspectos relacionados ao lugar do sofrimento na vida. Todavia, Anatomia de uma dor é bastante diferente — não são mais reflexões teóricas de um pensador que escreve na segurança e no conforto do seu escritório. Antes, o livro apresenta as impressões reais e muito sinceras de alguém imerso em uma das piores dores que o ser humano pode conhecer em sua curta passagem por esta vida, que é a perda de uma pessoa amada. O autor não esconde, nem tenta esconder, o seu coração dilacerado. Quem passou por experiência assim terá mais condições de entender a argumentação do autor. Lewis rejeita consolações baratas e respostas prontas. E, à semelhança dos salmistas do Antigo Testamento, lamenta corajosamente sua perda diante do Senhor Deus. É possível que algumas pessoas se espantem com a maneira algumas vezes rude com que Lewis apresenta suas idéias nesse livro. Mas é possível também que Lewis, com toda sua amargura, esteja dizendo o que todo mundo pensa em situação de luto e pranto, mas não tem coragem de dizer. Certamente dessa vez ele molhou sua pena não nas tintas da reflexão serena e lógica que tanto marca seus outros escritos, mas nas cores de suas emoções mais profundas. Lewis mostra também a sua fé e convicção de que, acima da dor humana, está o Deus Todo-Poderoso, cujas ações muitas vezes não entendemos, mas que continua amando a humanidade, obra de suas mãos, mesmo — e principalmente — em momentos de dor e lágrimas. Fundamentos da Teologia PráticaA Editora Mundo Cristão pretende lançar a série “Teologia Brasileira”, na qual apresentará autores nacionais escrevendo sobre diferentes aspectos da teologia sistemática. Fundamentos da Teologia Prática é o primeiro volume da série. Seu autor, Júlio Zabatiero, é um dos mais criativos e competentes teólogos do Brasil. Júlio é biblista de formação, mas nesse livro revela sua habilidade no trato com outro locus da reflexão teológica, a teologia prática. Conforme o autor, toda teologia cristã deve ser prática. Zabatiero elabora interessantes reflexões sobre uma cristologia prática (a partir de Cl 1.15-20), uma soteriologia prática (a partir de Cl 2.6-15), uma espiritualidade cristocêntrica (a partir de Cl 2.16-3:4) e solidária (a partir de Cl 3.5-17) e uma missiologia integral (a partir de vários textos paulinos). A argumentação de Zabatiero é sugestiva, bem embasada teoricamente e bem fundamentada biblicamente. Fundamentos da Teologia Prática abre com chave de ouro a série “Teologia Brasileira”. Que venham os próximos números!
Carlos Caldas é professor na Escola Superior de Teologia e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo.
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