quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Essa mania de possuir


Há uma música linda de Guilherme Arantes, o nome dela é Mania de possuir. Uma parte da letra diz: Essa mania de possuir, mata em nome do amor. Fere o espaço mágico da criação, sentimento à flor da pele. Essa vontade de engolir o mundo, ter tudo nas mãos, logo pode trazer outra desilusão. Coração que não descansa.
Que coisa hein? Vejo a graça comum nessa letra de Arantes, o ser humano está nessa onda de ter tudo nas suas mãos, de controlar absolutamente tudo, até a própria natureza. O ser humano quer controlar as situações que envolvem a vida, os relacionamentos e até os acontecimentos da existência. A experiência dessa moça que é uma atleta perfeita em todos os movimentos e ações do corpo, mostrou para nós que é impossível ter tudo nas mãos. 
Simone Biles saiu das Olimpíadas de Tóquio com apenas duas medalhas. Essa moça não teve tudo em suas mãos e ainda saiu sem uma de ouro. Poderia ter sido um dos maiores fracassos da história do esporte, mas ela saiu maior do que entrou. Ao ter coragem de admitir que a pressão que sentia, era grande demais e estava afetando suas performances. Ela se tornou um ícone de alerta de saúde mental. 
Simone Biles percebeu claramente que não poderia ter medo de decepcionar alguém. Ela viu que seu problema era algo que tira o equilíbrio e faz com que a pessoa perca a noção de espaço e movimento durante suas ações piruetas. Ela percebeu que era impossível engolir o mundo e isso traria desilusões profundas para ela.
Acredito que precisamos rever os conceitos e perceber que temos limites, temos fragilidades, não podemos ter tudo nas mãos e toda vez que ultrapassamos os limites, ofendemos a criação, atrapalhamos o andamento dos detalhes da vida. Porque geralmente, nos envolvemos com a soberba, o orgulho e a prepotência. Gosto demais das palavras de Davi quando fica sabendo da morte de Abner. Ele diz em 2 Samuel 3:39: No presente, sou fraco, embora ungido rei; estes homens, filhos de Zeruia, são mais fortes do que eu. Retribua o Senhor ao que fez mal segundo a sua maldade.
Davi reconhece seus limites e suas forças. Ele não tem condições de solucionar algumas demandas mesmo sendo o grande rei, o grande herói de Israel. Ele se mostra frágil, humano, limitado e sem forças. Mesmo sendo rei diz que os filhos de Zeruia são mais fortes do que ele e entrega a causa para o Senhor Deus.
Cuidado, não somos os fortes assim, não somos os donos do mundo, não somos os todos poderosos nessa vida. Temos limites e fragilidades, cuidado para não sermos engolidos pela mania de possuir e controlar tudo! Deus é o soberano e dono de todas as decisões da nossa história. O controle é dele, nunca nosso! (Alcindo Almeida)



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