sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Só vasos de barro são usados pelo tesouro que é Cristo


- Texto para reflexão: Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós (II Cor. 4.7).

O que é um vaso de barro? É um instrumento vazio de barro, frágil. Ele não é como ferro, metal ou bronze. O barro se espatifa á toa. Basta cair da mão do oleiro e pronto. O barro ainda cru é inconsistente a pressões. Ele não tem história que o sustente como objeto. O barro não tem valor e não é objeto de desejo nem de disputas. Não há guerras entre nações do mundo por causa do barro. Por causa do ouro sim, petróleo sim, mas barro não é raridade. Só o oleiro pode agregar valor ao barro. Fazendo do barro um vaso, algo de valor. O barro não tem vontade própria. O barro precisa de um acontecimento (chuva, deslizamento), para sair do anonimato (barranco). Se alguém não tira do barranco o barro continuará sendo barro pra sempre. Precisamos aprender que na nossa vida espiritual Deus valoriza mais o tesouro da sua graça do que os meros barros que somos, do que aquilo que queremos fazer para ele.
E a verdade é que o Evangelho da graça de Deus tem se tornado antipático por causa da inversão de valores. Temos perdido a real visão de quem somos no Reino de Deus, apenas vasos frágeis de barro. Só que o problema é que temos tentado ser vasos de porcelana e não vasos de barro. A grande verdade é que nos preocupamos com os vasos de porcelana e não com o tesouro do Reino de Deus. Temos nos tornado narcisistas em potencial (estamos envolvidos com a burocracia e com eloqüência da nossa existência) e isso tem comprometido a beleza da Evangelização do nosso povo brasileiro. O que é um narcisista?
É aquele que valoriza somente a si mesmo, é alguém se louva a si mesmo. Alguém que se endeusa e faz uma veneração de si mesmo. Narcisismo descreve a característica de personalidade de paixão por si mesmo. A palavra é derivada da Mitologia Grega. Narciso era um jovem e belo rapaz que rejeitou a ninfa Eco, que desesperadamente o desejava. Como punição foi amaldiçoado de forma a se apaixonar incontrolavelmente por sua própria imagem refletida na água. Incapaz de levar a termos sua paixão, Narciso se suicidou por afogamento[1][1]. Freud acreditava que algum nível de narcisismo constitui uma parte de todos desde o nascimento. Andrew Morrison afirma que, em adultos, um nível razoável de narcisismo saudável permite que um indivíduo equilibre a percepção de suas necessidades em relação às de outrem. Pois bem, aqueles que são vasos de porcelana são verdadeiros narcisistas. E os tais não têm espaço no Reino de Deus, pois, no Reino de Deus só há espaço para vasos de barros e vasos de barros jamais visam à glória própria. Porque o texto afirma que o tesouro é mais importante do que os vasos de barro. Portanto, as nossas falhas nascem da preocupação com os vasos de porcelana e não com o tesouro do Reino. Por isso, o que Glenio Fonseca afirma é algo para pensarmos de maneira séria:

“Está se tornando cada vez mais óbvio que o maior perigo para a humanidade não é a fome, nem o câncer, mas o próprio homem. Se Deus não salvar o homem do seu egoísmo teomaníaco, ele destruirá a terra e a humanidade” (PARANAGUÁ, 2001, p. 29).

O tesouro, as boas novas, a graça, a cura, a libertação, o coração, o perdão, tudo isso era a preocupação maior do apóstolo Paulo. Igualmente a Cristo Paulo se importava com a verdade, com a vida, com o encontro com o Deus majestoso que operava na vida dele apenas como vaso de barro, vasos de barro que era de Cristo. A grande verdade é que igreja está constituída de vasos de porcelana, por isso, é mais fácil dizer que é um alcoólatra lá fora, do que dentro daquilo que chamam de igreja. É mais fácil assumir a falha na fidelidade à esposa lá fora, do que lá dentro da igreja que tem vários vasos inquebráveis e verdadeiros santos de pedestal. Pessoas que se acham as mais santas do mundo.
Para Paulo a importância era a visibilidade da glória de Cristo e ele ser um vaso de barro. Paulo sempre reconheceu a sua vida como um vaso de barro para a glória de Cristo. Portanto, a mensagem que anunciamos não pode ser jamais sobre nós, e sim, sempre sobre Deus. Devemos anunciar aquilo que Deus faz, não nós. Devemos anunciar que somos os vasos de barro como foi pregado e ensinado pelo profeta Jeremias.
Precisamos aprender que no Reino de Deus somos apenas vasos de barro que devem servir no Reino para a glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo! Ao barro não tem opção a não ser se render à vontade soberana do oleiro. Se não reconhecermos nossa fragilidade e nos quebrarmos na presença do Senhor, passamos a buscar uma glória tão somente humana e jamais a divina.

Alcindo Almeida
IGREJA PRESBITERIANA DE PIRITUBA
[2][1] Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Narcisismo”.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia e Teologia e Filosofia. São Paulo: CANDEIA, Vol. II, 1995.
SCHAEFFER,Francis. A Morte da Razão. São Paulo: ABU, 1993.
PARANAGUÁ, Glenio Fonseca. Vaso nas mãos do oleiro. Paraná: Ide, 2001.

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