
- Texto reflexão: Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado (Rom. 7.24-25).
Jesus coloca a unidade com o Pai como modelo para nossa experiência de unidade. E para isto ele tem que descer para experimentar todas as limitações humanas. Ele tem que abrir mão da sua própria glória, ele tem que se esvaziar completamente.
A primeira condição para termos esta unidade como membros do corpo de Cristo é descermos as nossas próprias profundezas, as nossas raízes terrenas[1]. Devemos descer a nossa própria escuridão, ao reino das sombras da nossa alma. E lá veremos tudo o que não queremos aceitar em nós. Veremos que há uma luta entre a carne e o Espírito. Veremos que há maldade no nosso interior, veremos o quanto carecemos de uma graça celestial para nos moldar a fim de praticarmos mais o bem.
Agostinho dizia que Jesus é a escada que interliga o céu e a terra em nosso coração. Esta escada é que nos conduz para descermos à nossa própria realidade da alma, do coração.
Jesus com a sua graça nos mostra claramente a nossa fraqueza, a nossa fragmentação enquanto ser humano. Jesus nos mostra com sua graça que só subiremos até o Pai quando tivermos descido à própria realidade da nossa alma. Só poderemos subir ao Pai quando na relação com Jesus percebermos todos os abismos da nossa alma. Quando percebermos que a graça e misericórdia divinas precisam atuar dentro de nós, quebrando, restaurando, limpando e moldando o nosso caráter para que o relacionamento com o Pai seja verdadeiro.
Através de Jesus de Nazaré, temos a possibilidade de descer a nossa própria profundeza da alma e ver que não há nada de bom em nós. Não há nada de extraordinário em nós para o Pai nos amar. Só a graça dele é que nos torna amados dele. Daí, ele nos tira dos nossos próprios abismos da alma e nos leva até o Pai para que o nosso pecado, a nossa falha, o nosso erro, todos os dilemas e conflitos sejam resolvidos para a glória dele.
O convite da Palavra de Deus é que desçamos as nossas próprias profundezas e percebamos o quanto necessitamos da graça do eterno Deus.
[1] GRUN, Anselm. O ser fragmentado. Rio de Janeiro: Vozes, 2004, p. 76.
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