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Tempos líquidos

O sociólogo polonês radicado na Inglaterra Zygmunt Bauman, foi um dos intelectuais mais respeitados e produtivos da atualidade. Ele escreveu mais de 50 livros. Ele disse que os tempos são “líquidos” porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para ser “sólido”. Disso resultariam, entre outras questões, a obsessão pelo corpo ideal, o culto às celebridades, o endividamento geral, a paranoia com segurança e até a instabilidade dos relacionamentos amorosos. É um mundo de incertezas e cada um por si.
Zygmunt disse que “os ancestrais eram esperançosos: quando falavam de progresso, se referiam à perspectiva de cada dia ser melhor do que o anterior. Nós estamos assustados: progresso, para nós, significa uma constante ameaça de ser chutado para fora de um carro em aceleração.
Olhando para essa fala de Zygmunt, percebemos que, infelizmente, o que chamamos de igreja cristã, tem se dobrado aos tempos líquidos. Alguns líderes religiosos têm usado as pessoas como massas, como meios para o sucesso e não para crescerem como pessoas e servirem como pessoas que são seres humanos. 
Quando olhamos para Jesus, percebemos que ele considera as pessoas na identidade e não a generalização do ser. No texto de Lucas 19 há o registro do encontro de Jesus com Zaqueu. Tem um monte de gente naquele momento e Jesus fala com um cobrador de impostos baixinho e o chama pelo nome. Ele diz que quer tomar um chá inglês com ele naquela tarde. Jesus não dá vazão para a liquidez do ser, ao contrario, ele personifica, chama pelo nome e quer sentar com a pessoa e conhecer sua história. E no caso de Zaqueu, ele diz no final que a salvação entrou naquela casa e que Zaqueu era um verdadeiro filho de Abraão. Que maravilhoso gesto do mestre da vida que olha e personifica a identidade do ser humano. Louvado seja o Eterno Deus! (Alcindo Almeida).

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