A realidade das perdas

Se existe alguma palavra que resuma bem a nossa dor, é a palavra “perda”. Perdemos tanto! Às vezes até parece que a vida é apenas uma série de perdas. Quando nascemos, perdemos a segurança do ventre, quando fomos para a escola, perdemos a segurança da nossa vida familiar, quando conseguimos o nosso primeiro emprego, perdemos a liberdade da juventude e quando envelhecemos, perdemos a nossa boa aparência, os velhos amigos, a nossa fama. Quando nos tornamos fracos ou doentes, perdemos a nossa independência física, e quando morremos, perdemos tudo! E estas perdas fazem parte da nossa vida normal! Mas, quem é que tem uma vida normal? As perdas que se assentam profundamente nos nossos corações e mentes são a perda da intimidade através das separações, a perda de segurança através da violência, a perda da inocência através do abuso, a perda dos amigos através da traição e a perda do amor através do abandono. Estou agora a tentar sugerir que todas estas perdas toquem a vida de cada um de nós. Mas, enquanto caminhamos juntos e escutamos uns aos outros, iremos em breve descobrir que muitas, senão mesmo a maioria, destas perdas são parte da caminhada, da nossa própria caminhada ou da caminhada dos que nos acompanham. O que fazer com as nossas perdas? Esta é a primeira questão com que nos encaramos. Há uma possibilidade: a possibilidade de chorar. Sim, temos de chorar com as nossas perdas. Não podemos expulsá-las ou fazer com que se vão embora, mas podemos derramar lágrimas sobre elas e permitir a nós próprios chorar profundamente. Chorar é permitir que as nossas perdas rasguem os sentimentos de garantia e segurança e levar-nos à dolorosa verdade da nossa ruína. O nosso pesar nos faz experimentar o abismo da nossa vida como algo natural!
Como somos pecadores, às vezes, no meio das perdas, ficamos sem esperança. Mas, do céu existe uma voz que diz: “*A minha graça te basta*!”, e choramos de novo pela cura dos nossos corações no meio das perdas e nos atrevemos a acreditar que, de fato, no meio do nosso lamento, podemos encontrar um presente para sermos agradecidos. Mas para esta descoberta, precisamos de uma companheiro especial: Jesus Cristo de Nazaré (Adaptação de um texto de Henri J. M. Nouwen sobre as perdas. Livro: A formação espiritual).

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