QUANDO A TRAGÉDIA BATE À NOSSA PORTA

Que socorro você prestou ao braço que não tinha vigor? Jó 26:2

Aconteceu de novo! Parece que essas situações teimam em produzir marcas em nosso mundo, confrontando-nos com nossos limites e os limites da sanidade humana, associada à maldade que nos assola periodicamente, para não dizer com uma constância muito maior do que gostaríamos de experimentar.
Quinta-feira, 8h11 de uma manhã como outra qualquer. Uma escola como tantas outras que estão presentes em nossas cidades. Adolescentes cheios de sonhos e histórias de vida. Pais aparentemente seguros de que seus filhos se encontravam em um lugar confiável, num ambiente permeado pelo saber e enriquecido pela alegria tão presente nessa idade. E... de repente, a faceta monstruosa de um “ser tido como humano” expõe toda a crueldade a que estamos sujeito quando essa natureza humana se mostra assim deformada.
Doze adolescentes são mortos de forma brutal e cruel, sob olhares atônitos de outros colegas e professores.
Poderia ser apenas mais uma dentre tantas tragédias, não fosse a violência expressa com tanta intensidade e ferindo não só as inocentes vítimas cujas vidas foram abreviadas de forma abrupta, como suas famílias, centenas de outras crianças que terão que lidar com seus traumas e medos, e uma sociedade que assiste perplexa a tamanho horror.
São muitas e diferentes as percepções de cada um de nós diante da adversidade, da calamidade, da catástrofe, da fatalidade, do flagelo, do revés ou da tragédia.
Acontece que "O problema do sofrimento não é algo que se possa resolver facilmente e depois arquivar. Ouve-se o seu brado cada vez que um furacão fustiga algum lugar, cada vez que um vizinho descobre que seu filho é deficiente, cada vez que alguém da minha família fica sabendo do diagnóstico terrível de câncer, cada vez que um sintoma físico me obriga a ir ao médico". YANCEY, Philip. A Bíblia que Jesus lia. São Paulo, Vida, 2000. p.46
Como superar situações traumáticas como essa? Como reconstruir a vida depois do horror, tendo que conviver com as lembranças incanceláveis de um massacre?
Conheci um homem que em meio à sua dor expressou-se dizendo que nascer foi lamentável: “Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse: Foi concebido um homem!”. Disse também que viver era algo lastimável: “Em vez de comer, eu choro, e os meus gemidos se derramam como água. Aquilo que eu temia foi o que aconteceu, e o que mais me dava medo me atingiu. Não tenho paz, nem descanso, nem sossego; só tenho agitação.” E ainda que, para ele, morrer seria desejável: “Por que os infelizes continuam vendo a luz? Por que deixar que vivam os que têm o coração amargurado? Eles esperam a morte, e ela não vem, embora a desejem mais do que riquezas. Eles ficam muito alegres e felizes quando por fim descem para a sepultura.” (Jó 3:3, 24, 26, 21 a 22)
Expressões assim nos evidenciam fatos que nos remetem à nossa dor, nossas crises, nossas fraquezas e nossas indesejáveis possibilidades. São como gigantes que se apresentam diante de nós de diferentes formas.
Muitos se perdem em tentativas de resposta improdutivas ou ineficazes.
Larry Grabb escreveu: “Um encontro profundo com a dor nos leva a fazer uma escolha. Ou mudamos, ou afundamos na amargura, no desespero ou no hedonismo. Ou aceitamos o fato de que a vida não gira em torno de nós, de como nos sentimos e do que acontece aqui, ou empurramos a dor para um canto, dedicando nossa vida à satisfação de sonhos menores que podem se realizar” (“Sonhos Despedaçados” Ed Mundo Cristão, pág 94).
Sim! Em nosso encontro profundo com a dor temos uma escolha para fazer.
Alguns, que nunca se importam com sua espiritualidade, são capazes de culpar a omissão de Deus. Podem contender com Ele, emudecer-se, protestar ou queixar-se. E o que acontece é um desiludir-se com a vida e para a vida.
Outros, entre os quais me incluo, têm buscado em Deus não apenas respostas, mas um sentido para a própria vida. E o que essa experiência nos tem proporcionado é que...

É MELHOR CONHECER A DEUS QUE CONHECER RESPOSTAS

São exatamente os resultados dessa busca que tem norteado e dado sentido à nossa vida.
E quanto mais O buscamos, mas cresce nosso amor por Ele e nosso sentido e propósito para a própria vida. E então posso orar: “Que eu use a decepção como matéria-prima da paciência. Que eu use o sucesso como matéria-prima da gratidão. Que eu use a tribulação como matéria-prima da perseverança. Que eu use o perigo como matéria-prima da coragem. Que eu use a censura como matéria-prima do sofrimento prolongado. Que eu use os elogios como matéria-prima da humildade. Que eu use os prazeres como matéria-prima da temperança. Que eu use a dor como matéria-prima da resistência”, como se expressou Philip Yancey em “Oração, ela faz alguma diferença?” Ed Vida, pág 297.
ELE É DEUS - e onde não podemos compreender, podemos confiar.
Quando conhecemos “quem” é Deus, não precisamos perguntar “por quê?”
O que nos leva a perseverar em meio à nossa dor, perda, vazio e inquietações é um grande princípio que pode ajudá-lo também:
“Deus é bom demais para cometer qualquer crueldade... sábio demais para cometer um erro... profundo demais para explicar a si mesmo”. (Charles Swindoll, “Devocionais”, Ed Mundo Cristão, pág 95).
Daí podemos dizer: “Deus é suficiente”.
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,
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Rev. Hilder C Stutz

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