Há um paraíso preparado para nós

- Texto para meditar: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso (Lucas 23.43).

Interessante que o homem fez o pior com a criação, o Éden foi manchado com a desobediência dos nossos primeiros pais. A terra foi manchada e deixou de ser o lugar da perfeita comunhão com o criador. Por isso, vimos o estrago no Rio de Janeiro quando aquelas 11 meninas e um menino foram brutalmente assassinados por um louco. Por isso, aquele moço em plena Avenida Paulista foi esfaqueado e quase perdeu a sua vida. Por isso, nesta semana vimos o caso da moça que jogou um bebê de 7 dias num lixo.
E quando aquele por quem o mundo foi feito veio ao mundo, o mesmo não o conheceu. O Senhor da glória tinha tabernaculado entre os homens, mas não foi desejado. Os olhos que o pecado tinha cegado não viram nele nenhuma beleza alguma pela qual ele fosse desejado. E agora estamos na cena da cruz, no momento em que o Filho de Deus tinha se rendido nas mãos dos seus algozes. Um julgamento aconteceu e, embora seus juízes não tenham encontrado nenhuma falta nele, eles se rederam ao clamor insistente daqueles que o odiavam à medida que eles repetidamente clamavam: “Crucifica-o, crucifica-o”.
E lá naquela cruz depois de tanto sofrer, padacer, ser humilhado. E lá naquela cruz depois de experimentar os últimos momentos antes da sua morte, tem do seu lado dois ladrões à beira da morte que fizeram por merecê-la.
Um blasfemava diante do dono de toda eternidade e outro depois de ponderar e refletir sobre sua conduta o repreendeu, dizendo: Você não teme a Deus, nem estando sob a mesma sentença? Nós estamos sendo punidos com justiça, porque estamos recebendo o que os nossos atos merecem. Mas este homem não cometeu nenhum mal. Então ele disse: Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino.
Este é um momento importante na trajetória do mestre. Porque quando Pilatos deu ordens para que o Senhor Jesus fosse crucificado entre os dois malfeitores, estava pondo em execução o decreto eterno de Deus e cumprindo sua palavra profética, coisas que lhe eram totalmente desconhecidas. Como disse Isaías: Ele foi contado com os transgressores (Is 53.12).
Neste momento de caos, de angústia e dor o Senhor Jesus está do lado da escória da sociedade da sua época, dois seres humanos que usaram da sua vida para fazer o mal. Ali o mestre está com os transgressores, e ali mais uma vez ele mostra a visão clara da graça vitoriosa. Ela entra em ação quando na resposta do servo sofredor ao ladrao vem a salvação do ladrão. Mesmo no meio da dureza dos corações, a graça consumou a salvação daquele ladrão antes perdido. As palavras de Jesus foram um convite e um processo de restauração do coração daquele homem: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
O ladrão salvo não tinha vida moral alguma antes de sua conversão e nenhuma de serviço ativo depois. Mas, foi direto para o Paraíso, foi para a comunhão eterna. Este homem foi salvo pela graça redentora de Jesus Cristo de Nazaré mesmo sendo miserável, imerecedor e condenado em todos os sentidos.
Quais são as implicações destas palavras para nós?

1. Apesar de sermos miseráveis Deus nos salva com graça soberana:

Há um livro chamado de: Os cinco pontos do Calvinismo. O primeiro ponto tratado pelo sistema calvinista é a doutrina bíblica da depravação total ou inabilidade total. Quando o calvinista fala do homem como sendo totalmente depravado, quer dizer que sua natureza é corrupta, perversa e totalmente pecaminosa. O termo é usado para indicar que todo o ser do homem foi afetado pelo pecado. A corrupção estende-se a todas as partes do homem, corpo e alma.
Quando Paulo diz: Miserável homem que eu sou. Ele quer evidenciar que este falso eu é o depravado que está dentro de nós. E quando estamos sozinhos demonstramos com mais verdade o que realmente somos por dentro. Somos depravados. E só um homem desta sensibilidade é que poderia ter coragem para expressar este homem pecaminoso por dentro. Somos como esse ladrão e temos que ser humilhados antes de sermos exaltados. E como diz Pink: “temos de ser despidos dos trapos imundos de nossa justiça própria antes que estejamos prontos para os trajes de salvação” (PINK, Arthur W. Os sete brados do Salvador na cruz. São Paulo: Arte Editorial, 2009, p. 38).
Temos de vir ao Senhor do Universo Deus como mendigos, de mãos vazias. E quem faz isso é o Espírito da graça mediante a cruz. E a graça encontra pecadores como eu e vocês para a eternidade. A graça divina acha pecadores perdidos e os salva para o Reino.

2. Há um paraíso preparado para nós povo de Deus:

E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. Nós somos os ladrões que ganhamos um lugar na família do Deus eterno. Jesus deu a graça daquele ladrão compreender mesmo que por um momento Reino e Paraíso. Como um rei estaria numa cruz? E como ele poderia prometer um paraíso? Isso é fé que ele recebeu e nós também. Temos um Senhor que é dono do Reino e ele nos promete a redenção nele que é uma comunhão do céu, do lar, da casa dele. A morada do Pai na terra redimida. Para quem? Para pecadores como eu e vocês.
Na segunda vinda de Cristo não teremos mais sofrimentos, mas a glória celestial para sempre. O ladrão rogou para que o Senhor se lembrasse dele em seu reino vindouro, mas Cristo lhe assegurou que antes que aquele dia mesmo tivesse passado ele estaria com o Salvador. O ladrão pediu para ser lembrado em um reino terreno, mas Cristo assegurou a ele um lugar no Paraíso. O ladrão simplesmente pediu para ser lembrado, mas o Salvador declarou que deveria estar com ele.
O que torna o céu superlativamente atraente ao coração do santo não é o fato de ser o lugar onde seremos libertos de toda tristeza e sofrimento, mas o céu sem Cristo não seria céu. É Cristo que o nosso coração almeja. Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti (Sl 73.25). Estar com o Senhor é a nossa meta (PINK, 2009, p. 53).
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Alcindo Almeida

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