terça-feira, 7 de abril de 2009

Por meio deste exercício destrói-se o pecado e adquirem-se as virtudes


Se você estiver resolvido a permanecer de pé e não cair, jamais desista de seu empenho, mas bata constantemente com um agudo dardo de amor ardente sobre esta nuvem do não-saber que está entre você e seu Deus.
Evite pensar em qualquer coisa abaixo de Deus e não abandone este exercício, aconteça o que acontecer. Porque só este e por si mesmo, destrói a raiz e o fundamento do pecado. Não importa o quanto você jejue, ou se mantenha em vigília, não importa quão cedo você se levante, não importa quão duro seja o seu leito, não importa quão áspero seja o seu cilício; sim, e se fosse lícito fazer tudo isto, o que na verdade não é, mesmo que você chegasse a arrancar os seus olhos, a cortar a língua de sua boca, a tapar os seus ouvidos e nariz, ainda que você amputasse os seus órgãos genitais e infligisse ao seu corpo toda a dor que você pudesse imaginar; - nada disso lhe traria, de um modo ou de outro, qualquer benefício.
0 impulso e a tendência para o pecado ainda estariam em você. Sim, e mais do que isto. Não importa o quanto você fosse chorar e entristecer-se por seus pecados, ou pela paixão de Cristo, ou jamais vir a ser tão atento com as alegrias do céu, - no que tudo isto seria proveitoso para você?

Certamente seria um grande bem, uma grande ajuda, de grande lucro e uma grande graça. Mas, em comparação com aquele cego impulso de amor, há pouco ou nada que se possa ou se tenha a possibilidade de fazer. Tirando-se todas aquelas outras coisas, esta é a melhor parte de Maria. Sem ele, pouco ou nada se aproveita. Ele não só destrói efetivamente a raiz e o fundamento do pecado, na medida em que isso seja possível aqui embaixo, mas também adquire as virtudes. Porque quando esse é verdadeiramente introduzido, todas as virtudes serão implantadas de modo perfeito e suave, como também conhecidas e nele contidas, sem qualquer mescla de motivo. E não importa quantas virtudes um homem possa ter, sem ele, todas serão misturadas a algum motivo torpe, e portanto, serão imperfeitos.

Porque a virtude nada mais é do que uma afeição ordenada e controlada que tem só a Deus como seu único objeto. Pois Ele mesmo é a causa genuína de todas as virtudes; de modo que, se um homem é levado para qualquer virtude por alguma outra causa que não seja Deus, ainda que Ele seja a causa principal, essa virtude será imperfeita.

Um exemplo disso pode ser encontrado em uma ou duas virtudes, que podem representar todas as outras. As duas virtudes, humildade e caridade, são bons exemplos; pois quem quer que possa ter estas duas não precisaria necessariamente possuir outras; ele as teria todas.

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