Equilíbrio na vida

(Provérbios 30.7-9)

Essa oração contida é a única do livro. Não é por acaso que o pedido vem logo após a afirmação de Deus como o grande Criador e vem seguido de uma promessa: a fidelidade divina. A grande percepção na vida é que não podemos enganar a Deus. Ele nos vê como somos, por isso, precisamos pedir tudo para o Eterno com sinceridade. 
Vejam que o escritor pede que Deus não lhe dê nem pobreza e nem riqueza. Ele pede apenas o básico para Deus em termos de sobrevivência. Temos ao mesmo tempo dois pedidos visando certo equilíbrio na vida humana. Ele não quer pobreza, para não questionar Deus, e não quer riqueza, para não se esquecer do Eterno Deus na vida. A lógica é se tivermos pouco podemos insultá-lo, se tivermos muito podemos achar que não temos necessidade dele. 
Esse homem que provavelmente seja Agur precisava da providência divina para ser resguardado da mentira e da falsidade, para que aquilo que ele sabia, estivesse de acordo com a Palavra de Deus. Ele desejava a integridade e a verdadeira espiritualidade, livre das corrupções que os homens promovem. Ele queria fugir da falsidade que no original hebraico significa “vazio”, mas também mentiras, destituídas da verdade divina. Ele queria ter dinheiro suficiente para continuar a vida, mas não queria cair na armadilha que as riquezas trazem. Ele queria estar simplesmente numa boa situação. Ele precisava de alimento adequado e do suprimento de suas necessidades básicas. Agur buscava na vida apenas a moderação sem privações da pobreza e sem excessos das riquezas.
Eu fico pensando que oração oportuna para nós hoje que vivemos no meio da correria louca desse planeta. Temos que produzir, temos ganhar mais, ter mais e galgar cada vez mais espaços numa sociedade absolutamente consumista. Agur é nosso herói do equilíbrio da espiritualidade sadia e prudente diante do Criador. Precisamos pedir para o Senhor o suficiente, o necessário para sobrevivermos. Pedir o que é realmente digno para qualquer ser humano sobreviver. Podemos perceber que esse pedido sensato reflete muito a oração do Senhor a qual traz a mesma preocupação: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje e não nos deixes cair em tentação.
A toada espiritual deve ser essa, Senhor dá-nos o pão para sobreviver, dá-nos o suficiente. E livra-nos dessa ganancia de que querer galgar mais, querer mais poder, mais conquistas. Dá-nos da tua graça para não negarmos ao Senhor, não nos rebelarmos e nem esquecermos de tua graça e bondade sempre presentes em nossa vida. Aprendamos com Paulo na sua afirmação em Filipenses 4.11: Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho (Alcindo Almeida).

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