Disfarçando nossos sentimentos

Gostamos, também, de vitórias sem esforços: crescimento sem crise, cura sem dores e ressurreição sem a cruz. Não é de admirar que gostemos de assistir a desfiles militares e de aplaudir heróis que retornam, operadores de milagres e recordistas. Também não é de admirar que nossas comunidades pareçam organizadas para manter o sofrimento a distância.
As pessoas são sepultadas de maneira a disfarçar a morte com eufemismos e ornamentação rebuscada. As instituições mantêm reclusos os seus doentes mentais e criminosos, numa contínua negação de que eles pertencem à família humana. Até nossos hábitos do dia-a-dia levam-nos a disfarçar nossos sentimentos, e a comunicar-nos polidamente, mas sem sinceridade, evitando, assim, um confronto honesto e curador.

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NOUWEN, Henri. Transforma meu pranto em dança. São Paulo: Thomas Nelson, 2009, p. 23.

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