
- Texto para reflexão: Felizes os que choram porque estes serão consolados (Mateus 5.4).
A verdade é que a igreja atual tem ausência deste tipo de choro espiritual. Porque a superficialidade tomou conta do nosso coração de tal maneira que não lamentamos mais como Esdras e Jeremias lamentaram na presença de Deus. Dr. Martin Lloyd Jones nos chama a atenção para isto dizendo que o estado nosso do senso de pecado é tão defeituoso, bem como a compreensão exata da doutrina do pecado. A falta da convicção profunda de que quando entristecemos Deus, isto é pecado, invadiu a igreja atual (JONES, 1999, p. 50). É exatamente aí que a relativização entra e reina a superficialidade quanto ao “choro espiritual” por causa dos nossos pecados. O pobre de espírito é aquele que está disposto a reconhecer sua falência moral, para depender da justiça e retidão que só Deus podem proporcionar por meio de sua vida. Ao tomar consciência de sua falência moral, o que se espera é que esta pessoa chore por sua condição.
Vejam o choro de Paulo: “Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Rm. 7.24). Vejam o choro de Jó: Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne, e só escapei com a pele dos meus dentes. Compadecei-vos de mim, amigos meus; compadecei-vos de mim; pois a mão de Deus me tocou (Jó 19.20-21).
Vejam o choro profundo do profeta Jeremias: Corrige-me, ó Senhor, mas com medida justa; não na tua ira, para que não me reduzas a nada (Jr. 10.24). Vejam o choro profundo de Jeremias em Lamentações: Chora amargamente de noite, e as lágrimas lhe correm pelas faces; não tem quem a console entre todos os seus amantes; todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ela; tornaram-se seus inimigos (Lam. 1.2). Já se consumiram os meus olhos com lágrimas, turbada está a minha alma, o meu coração se derrama de tristeza por causa do quebrantamento da filha do meu povo; porquanto desfalecem os meninos e as crianças de peito pelas ruas da cidade (Lam. 2.11). Águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado. Invoquei o teu nome, Senhor, desde a profundeza da masmorra (Lam. 3.54-55).
Há um contraste diante destes textos. Há pessoas na realidade cristã que são incapazes de chorar. É a realidade daqueles arrogantes descritos no Salmo 73. A consciência deles está cauterizada. Eles não choram pelos seus pecados e nem pelos dos outros. O texto afirma: Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Porque eles não sofrem dores; são e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens. Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre como um vestido. Os olhos deles estão inchados de gordura; trasbordam as fantasias do seu coração. Motejam e falam maliciosamente; falam arrogantemente da opressão (Salmo 73.4-8).
Jeremias é um modelo de alguém que chora pelos seus pecados e pelos do seu povo. Ele entende que é preciso lamentar a ruína espiritual do seu povo. Então ele chora e verdadeiramente é um pobre de espírito diante de Deus. Thomas Cranmer não exagerou quando num culto comemorando a Ceia do Senhor, em 1662 colocou nos lábios das pessoas da igreja as palavras: "Reconheçamos e lamentemos nossos pecados e maldades". Esdras não errou quando orava fazendo confissão e chorando prostrado diante da casa de Deus. Sejamos bem francos, parece que hoje não existe tristeza suficiente por causa do pecado entre nós. Deveríamos experimentar mais "tristeza segundo Deus" no arrependimento cristão (cf. II Co 7.10).
David Brainerd escreveu em seu diário em 18 de outubro de 1740:
"Em minhas devoções matinais minha alma se desfez em lágrimas e chorou amargamente por causa da minha extrema maldade e vileza. Lágrimas como estas são a água santa que se diz Deus guardar em seu odre” (PIPER, 2005, p. 138).
Agostinho de Hipona no livro Confissões - A atração do pecado diz:
“Eu, miserável, que frutos colhi das ações que cometi então e que agora recordo envergonhado, especialmente daquele furto que me satisfez pelo fruto em si e nada mais! De fato, ele em si nada valia, e por isso, me tornei ainda mais miserável! No entanto, eu não o teria praticado, se estivesse sozinho. Lembro-me bem do meu estado de alma: sozinho não o teria feito absolutamente. Portanto, amei também no furto a companhia daqueles com quem o cometi; daí não ser verdade ter amado apenas o furto em si. Não, não amei mais nada, pois a cumplicidade não é mais um nada. O que será ela na realidade? Quem me pode responder senão aquele que me ilumina o coração e lhe dissipa as trevas? Por que me ocorreu indagar, discutir, analisar estes fatos? Se eu tivesse na ocasião desejado de fato aqueles furtos que roubei, e com eles me tivesse regalado, poderia tê-los roubado sozinho. Poderia ter cometido a iniqüidade, satisfazendo o meu desejo, sem necessidade de estimular, por outras companhias, o prurido de minha cobiça. O fato é que não eram os furtos que me atraíam, mas a ação má que eu cometia em companhia de amigos, que comigo pecavam” AGOSTINHO, 2002, p. 22).
Tais pessoas que choram e que lamentam a sua própria maldade serão consoladas pelo único consolo que pode aliviar o seu desespero, isto é, o perdão da graça de Deus.
Jesus chorou pelos pecados de outros, pelas amargas conseqüências que trariam no juízo e na morte, e pela cidade impenitente que não o receberia (STOTT, 1981, p. 20 ). Nós também deveríamos chorar mais pela maldade do mundo, como os homens piedosos dos tempos bíblicos. Como diz o salmista: Torrentes de águas nascem dos meus olhos, o salmista podia dizer a Deus porque os homens não guardam a tua lei (SaImo 119.136).
Aprendamos a chorar os nossos pecados diante de Deus porque o consolo de Deus só vem quando experimentamos a convicção real dos nossos pecados.
Pr. Alcindo Almeida
A verdade é que a igreja atual tem ausência deste tipo de choro espiritual. Porque a superficialidade tomou conta do nosso coração de tal maneira que não lamentamos mais como Esdras e Jeremias lamentaram na presença de Deus. Dr. Martin Lloyd Jones nos chama a atenção para isto dizendo que o estado nosso do senso de pecado é tão defeituoso, bem como a compreensão exata da doutrina do pecado. A falta da convicção profunda de que quando entristecemos Deus, isto é pecado, invadiu a igreja atual (JONES, 1999, p. 50). É exatamente aí que a relativização entra e reina a superficialidade quanto ao “choro espiritual” por causa dos nossos pecados. O pobre de espírito é aquele que está disposto a reconhecer sua falência moral, para depender da justiça e retidão que só Deus podem proporcionar por meio de sua vida. Ao tomar consciência de sua falência moral, o que se espera é que esta pessoa chore por sua condição.
Vejam o choro de Paulo: “Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” (Rm. 7.24). Vejam o choro de Jó: Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne, e só escapei com a pele dos meus dentes. Compadecei-vos de mim, amigos meus; compadecei-vos de mim; pois a mão de Deus me tocou (Jó 19.20-21).
Vejam o choro profundo do profeta Jeremias: Corrige-me, ó Senhor, mas com medida justa; não na tua ira, para que não me reduzas a nada (Jr. 10.24). Vejam o choro profundo de Jeremias em Lamentações: Chora amargamente de noite, e as lágrimas lhe correm pelas faces; não tem quem a console entre todos os seus amantes; todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ela; tornaram-se seus inimigos (Lam. 1.2). Já se consumiram os meus olhos com lágrimas, turbada está a minha alma, o meu coração se derrama de tristeza por causa do quebrantamento da filha do meu povo; porquanto desfalecem os meninos e as crianças de peito pelas ruas da cidade (Lam. 2.11). Águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado. Invoquei o teu nome, Senhor, desde a profundeza da masmorra (Lam. 3.54-55).
Há um contraste diante destes textos. Há pessoas na realidade cristã que são incapazes de chorar. É a realidade daqueles arrogantes descritos no Salmo 73. A consciência deles está cauterizada. Eles não choram pelos seus pecados e nem pelos dos outros. O texto afirma: Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Porque eles não sofrem dores; são e robusto é o seu corpo. Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens. Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre como um vestido. Os olhos deles estão inchados de gordura; trasbordam as fantasias do seu coração. Motejam e falam maliciosamente; falam arrogantemente da opressão (Salmo 73.4-8).
Jeremias é um modelo de alguém que chora pelos seus pecados e pelos do seu povo. Ele entende que é preciso lamentar a ruína espiritual do seu povo. Então ele chora e verdadeiramente é um pobre de espírito diante de Deus. Thomas Cranmer não exagerou quando num culto comemorando a Ceia do Senhor, em 1662 colocou nos lábios das pessoas da igreja as palavras: "Reconheçamos e lamentemos nossos pecados e maldades". Esdras não errou quando orava fazendo confissão e chorando prostrado diante da casa de Deus. Sejamos bem francos, parece que hoje não existe tristeza suficiente por causa do pecado entre nós. Deveríamos experimentar mais "tristeza segundo Deus" no arrependimento cristão (cf. II Co 7.10).
David Brainerd escreveu em seu diário em 18 de outubro de 1740:
"Em minhas devoções matinais minha alma se desfez em lágrimas e chorou amargamente por causa da minha extrema maldade e vileza. Lágrimas como estas são a água santa que se diz Deus guardar em seu odre” (PIPER, 2005, p. 138).
Agostinho de Hipona no livro Confissões - A atração do pecado diz:
“Eu, miserável, que frutos colhi das ações que cometi então e que agora recordo envergonhado, especialmente daquele furto que me satisfez pelo fruto em si e nada mais! De fato, ele em si nada valia, e por isso, me tornei ainda mais miserável! No entanto, eu não o teria praticado, se estivesse sozinho. Lembro-me bem do meu estado de alma: sozinho não o teria feito absolutamente. Portanto, amei também no furto a companhia daqueles com quem o cometi; daí não ser verdade ter amado apenas o furto em si. Não, não amei mais nada, pois a cumplicidade não é mais um nada. O que será ela na realidade? Quem me pode responder senão aquele que me ilumina o coração e lhe dissipa as trevas? Por que me ocorreu indagar, discutir, analisar estes fatos? Se eu tivesse na ocasião desejado de fato aqueles furtos que roubei, e com eles me tivesse regalado, poderia tê-los roubado sozinho. Poderia ter cometido a iniqüidade, satisfazendo o meu desejo, sem necessidade de estimular, por outras companhias, o prurido de minha cobiça. O fato é que não eram os furtos que me atraíam, mas a ação má que eu cometia em companhia de amigos, que comigo pecavam” AGOSTINHO, 2002, p. 22).
Tais pessoas que choram e que lamentam a sua própria maldade serão consoladas pelo único consolo que pode aliviar o seu desespero, isto é, o perdão da graça de Deus.
Jesus chorou pelos pecados de outros, pelas amargas conseqüências que trariam no juízo e na morte, e pela cidade impenitente que não o receberia (STOTT, 1981, p. 20 ). Nós também deveríamos chorar mais pela maldade do mundo, como os homens piedosos dos tempos bíblicos. Como diz o salmista: Torrentes de águas nascem dos meus olhos, o salmista podia dizer a Deus porque os homens não guardam a tua lei (SaImo 119.136).
Aprendamos a chorar os nossos pecados diante de Deus porque o consolo de Deus só vem quando experimentamos a convicção real dos nossos pecados.
Pr. Alcindo Almeida
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