O texto afirma no versículo 1: Desde o primeiro dia, estávamos lá, participando de tudo, ouvimos com nossos ouvidos, vimos com os próprios olhos, tocamos com as mãos.
Numa sociedade marcada por tédio, tristeza, rancor e vazio existencial, João nos conduz não a uma filosofia de bem-estar, mas a uma Pessoa real. A busca contemporânea por felicidade fracassa porque procura significado em experiências passageiras. João aponta para o Verbo da vida aquele que é desde o princípio. (cf. Gênesis 1.1 e João 1.1)
Cristo não é uma ideia abstrata, nem uma energia espiritual difusa. Ele é o Deus eterno que entrou na história. Ele é tangível, histórico e encarnado. João combate o gnosticismo afirmando que Jesus foi ouvido, visto e tocado. A fé cristã não repousa em mitos, mas na revelação concreta do Deus-homem.
A espiritualidade bíblica, portanto, não é fuga da realidade, é encontro com a realidade suprema. Num mundo saturado de frustração e vazio, João nos chama de volta ao centro: o Verbo da vida.
Cristo é eterno, criador, encarnado, tangível e salvador. Nele a alma encontra significado. Nele a tristeza encontra esperança. Nele a existência encontra propósito. A espiritualidade bíblica não é busca ansiosa por felicidade, mas permanência humilde naquele que é a própria vida.
E quem permanece nele, mesmo em meio às dores deste século, começa a experimentar já agora a alegria que é eterna.
· Para refletir e viver:
· A verdadeira alegria nasce de uma pessoa, não de circunstâncias: Nossa cultura promete felicidade por meio de consumo, reconhecimento ou prazer. João nos ensina que a vida física e espiritual procede de Cristo.
· A fé cristã é histórica e concreta: João insiste: ouvimos, vimos, tocamos. O Evangelho é verificável na história. Isso fortalece nossa espiritualidade em tempos de ceticismo. Não seguimos uma metáfora inspiradora, seguimos o Deus encarnado.
· A contemplação contínua de Cristo sustenta a alma: A espiritualidade saudável não é memória nostálgica, mas contemplação constante. (Pr. Alcindo Almeida)

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