Para a teologia reformada, a graça não é apenas uma ajudinha divina para quem está tentando ser bom, ela é a ressurreição espiritual de quem estava morto diante do Eterno Deus.
A graça é o favor imerecido de Deus que ignora nossa total incapacidade e nos alcança com um amor que não faz sentido lógico, apenas teológico.
O que torna a graça tão chocante na tradição reformada, especialmente no conceito de Sola Gratia é o contraste absoluto entre o Doador e o receptor.
Quando dizemos que a graça é para quem não vale nada, tratamos de mérito salvífico. Diante da santidade absoluta de Deus, nossas melhores obras são como trapos de imundícia como diz em Isaías 64:6. Por isso, a graça especial é chocante porque Deus não ama o que é amável em nós, Ele nos ama para nos tornar amáveis.
A graça é gratuita para nós, mas foi caríssima para Deus. Ela é liberal porque transborda, mas é justa porque o preço foi pago integralmente na cruz pelo nosso Senhor Jesus Cristo de Nazaré.
Como diria Dietrich Bonhoeffer, devemos fugir da graça barato. A graça é de graça, mas não foi barato. O amor eterno de Deus não começou quando fomos aceitos por Cristo, ele começou antes da fundação do mundo. O texto de Efésios 1:4 afirma: Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele, e em amor.
É um amor decretado na eternidade para ser manifestado na nossa temporalidade. Só um Deus gracioso poderia derramar esse amor por gente que é pecadora, miserável e indigna como somos.
Louvado seja o Eterno Deus por nos dar Jesus, o nosso Redentor, Senhor e Salvador.
- Aplicações para a espiritualidade bíblica:
1. Na graça vemos o fim da performance religiosa: Se a graça é para o imerecedor, o cansaço de tentar manter Deus feliz acaba. A espiritualidade bíblica é o descanso de saber que o amor de Deus por nós não se baseia no nosso desempenho de hoje, mas na fidelidade de Cristo ontem, hoje e eternamente.
2. Tenhamos gratidão sempre: Na teologia reformada, a obediência não é a causa da salvação, mas a consequência dela. Não obedecemos para ser amados, obedecemos porque fomos amados. Isso transforma o dever em prazer. A motivação da nossa vida espiritual deixa de ser o medo do inferno e passa a ser o choque de termos sido alcançados por um amor que nunca poderíamos comprar.
3. A graça nos faz olhar para o outro: Se nos vemos como alguém que "não valia nada" e fomos amados, como podemos olhar com superioridade para o próximo? A consciência da própria indignidade nos torna as pessoas mais pacientes e misericordiosas do mundo. A graça que recebemos de cima deve transbordar para o lado. Perdoar o imperdoável se torna possível quando lembramos que fomos os primeiros a receber esse perdão chocante. A graça é o amor de Deus que chega ao homem que nada pode alegar em seu favor.
Essa verdade é o que nos mantém humildes no sucesso e esperançosos no fracasso. A graça ainda é para imerecedores. (Pr. Alcindo Almeida)

Nenhum comentário:
Postar um comentário