Trecho da entrevista com o Dr. James Houston

Como seus últimos anos ao lado da sua esposa, Rita [Houston, falecida em outubro de 2014 após um período de perda progressiva das suas capacidades cognitivas], moldaram o seu pensamento atual sobre a vida?

Uma coisa importante de estar ao lado de uma boa esposa é que ela contradiz você. Os últimos anos foram muito duros e, ao mesmo tempo, uma benção. Um jovem casal estava vendendo o apartamento deles para nós porque estavam se divorciando. Eu estava muito triste porque estávamos nos beneficiando da compra, mas eles adoravam o lugar. Um dia, a moça veio para retirar as últimas coisas, dar um último adeus ao ex-marido e me disse: “Deve ser muito difícil para o senhor, com sua mulher perdendo a memória.” Eu respondi: “Não, não é. Esses são os nossos anos dourados”. Ela olhou-me chocada. Ela estava lá, jovem, lutando com todas as dificuldades de manter um casamento, e eu com a minha mulher sofrendo demência e dizendo que eram nossos melhores anos. Ela perguntou-me: “O que quer dizer com isso?” Respondi, então, que isso é amor incondicional e que eu me sentia privilegiado por ser a memória de minha mulher naquela fase. E essa era uma maravilhosa nova forma de expressão de afeição entre nós. Bem, ela foi embora naquela tarde e depois me disse que estava com coração ferido e orgulhosa demais para manter o casamento. O resultado daquela conversa é que alguns meses depois, ela voltou para casa, eles se reconciliaram e continuam vivendo no mesmo lugar. E, mais tarde, eu pude dizer-lhes o que significava crer em Jesus e o que era um casamento cristão.

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