quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Nunca perca a sensibilidade diante de Deus




Eu li um livro precioso demais. E nele os autores trabalham a necessidade de uma espiritualidade sadia e profunda com Deus. Um deles é Ricardo Barbosa. Ele afirma que chegamos ao fim do século XX com um sentimento de fracasso, vazio, descrença e desilusão. Nossos avanços sistemáticos na Teologia foram grandes e de uma enorme contribuição para a Igreja e a fé cristã. No entanto, falhamos na construção de uma gramática que estabelecesse uma relação real entre o que professamos crer e a vida.
A gramática teológica, para muitos, é diferente da gramática da vida. A crise espiritual é fruto da ausência de gramática. Da mesma forma como precisamos de uma gramática para dar sentido à linguagem, precisamos de uma gramática que dê sentido à fé. Conhecer a Deus implica “amá-lo de todo coração, alma e entendimento”. Isto envolve a totalidade da vida, mente e coração em comunhão pessoal com Deus, e significa que o conhecimento não pode ser divorciado do relacionamento, nem a Teologia pode caminhar sem a oração. O apóstolo Paulo nos diz que a sã doutrina é importante, não para nos dar títulos ou temas para teses, mas para nos tornar sábios para a salvação (BOMILCAR, 2005, p. 18). É preciso que voltemos para o centro de tudo para fugirmos do pecado que nos assedia tão fortemente. É preciso resgatar aqauela sensibilidade que Davi tinha antes de cair. Ele pensava em Deus, respirava Deus e não se preocupava com mais nada a não ser Deus. A gramática espiritual de Davi era Deus. Quando olhamos para os Evangelhos e, particularmente, para os encontros de Jesus, percebemos que o foco dele não estava apenas nas convicções, mas na gramática da vida (BOMILCAR, 2005, p. 21).
É preciso ter cuidado com este aspecto importante na vida cristã a sensibilidade diante de Deus. A contemplação e a imaginação sempre ocuparam um lugar fundamental na formação espiritual do povo de Deus. Grande parte do ensino de Jesus se deu através de parábolas e histórias que levavam as pessoas a imaginar a riqueza do Reino de Deus e o propósito da redenção. Os lírios do campo, as aves do céu, a casa sobre a rocha, a videira ou a ovelha perdida são imagens que nos convidam à contemplação, e não à formulação matemática da fé. O apóstolo Paulo, diante das dificuldades, perseguições e tribulações que enfrentou em seu ministério, não se deixou abater pelas lutas reais e visíveis. Pelo contrário, preferiu manter os olhos fixos “naquilo que não se vê, porque aquilo que se vê é temporário, mas o que não se vê é eterno”. Para ele, havia uma realidade não visível, mais verdadeira que as realidades visíveis. Por causa da contemplação, ele não se deixou abater pelas dificuldades visíveis (BOMILCAR, 2005, p. 23). Porque ele tinha uma sensibilidade profunda diante de Deus. Não percamos isto na vida! Porque se a perdermos seremos iguais a Davi quando se esqueceu de Deus.

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