sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Tenhamos uma vida diferente diante de Deus




- Texto para reflexão: Davi, pois, buscou a Deus pela criança, e observou rigoroso jejum e, recolhendo-se, passava a noite toda prostrado sobre a terra. Então os anciãos da sua casa se puseram ao lado dele para o fazerem levantar-se da terra; porém ele não quis, nem comeu com eles. Ao sétimo dia a criança morreu; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança tinha morrido; pois diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém ele não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança morreu? Poderá cometer um desatino. Davi, porém, percebeu que seus servos cochichavam entre si, e entendeu que a criança havia morrido; pelo que perguntou a seus servos: Morreu a criança? E eles responderam: Morreu. Então Davi se levantou da terra, lavou-se, ungiu-se, e mudou de vestes; e, entrando na casa do Senhor, adorou. Depois veio a sua casa, e pediu o que comer; e lho deram, e ele comeu. Então os seus servos lhe disseram: Que é isso que fizeste? pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que a criança morreu te levantaste e comeste. Respondeu ele: Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia: Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? Todavia, agora que é morta, por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim. Então consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher, e entrou, e se deitou com ela. E teve ela um filho, e Davi lhe deu o nome de Salomão. E o Senhor o amou (II Samuel 12.16-24).

Davi sabia muito bem que a sua vida poderia ser banida da presença de Deus. Ele se levanta daquele lugar de profunda dor e pesar. E no versículo 16 Davi buscou a Deus pela criança e observou rigoroso jejum e se recolhendo, passou a noite toda prostrado sobre a terra. Ele teve de volta a sensibilidade diante de Deus. Então os anciãos da sua casa se puseram ao lado dele para o fazerem levantar-se da terra; porém ele não quis, nem comeu com eles. Depois de sete dias, a criança morreu e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança tinha morrido. Davi percebe que seus servos cochichavam entre si e entende que a criança está morta. A sua atitude é a de se levantar e se lavar. Depois de se ungir, ele muda de vestes e entra na casa do Senhor e adora.
Davi teve consciência dos seus erros terríveis e voltou ao centro novamente. Ele tem uma noção da graça de Deus em seu coração. Tanto que ele pede para Deus lhe dar novamente a alegria da salvação e não lhe retirar o Espírito Santo. Ele pede para Deus criar nele um coração reto, inabalável e pede para renovar um espírito honesto e sério diante do eterno Deus. É assim que Deus que nos ver diante dele. Ele quer que entendamos a dimensão da nossa podridão e o quando ele nos ama em Cristo. O quanto ele quer que fujamos do pecado que atrapalha a nossa comunhão com ele.
O mundo exige e reclama do desempenho das pessoas e a religião envergonha o fracasso dos trôpegos. Neste contexto infeliz de imposições e vexames, surge uma mensagem sublime da graça plena, que assume a responsabilidade do castigo e transfere gratuitamente os benefícios da aceitação. O ser humano não conquista a graça de Deus, pelo contrário, a graça de Deus invade a falência humana. E por isso, podemos começar de novo na vida espiritual. Podemos contar sempre com o perdão e graça de Deus. Foi esta compreensão que fez Davi se levantar novamente. É preciso entender que foi Deus, em Cristo, quem buscou o homem no pecado. Jesus, como médico gracioso, veio salvar o pecador independentemente de qualquer iniciativa deste. A ação da graça de Deus precede qualquer reação do ser humano. O homem é um ser que nasceu estragado e vive tentando se consertar com os seus próprios expedientes. Mas, nada consegue restaurar o desmantelo. O sistema criado pelo homem é sempre dirigido pela não-graça, e isto gera muito esforço e provoca cansaço.
O enfado da religião é insuportável e sempre acaba produzindo muita hipocrisia. Paulo afirma: Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens, para a justificação que dá vida (Romanos 5.18).
Diante da aceitação plena da graça não há necessidade de reservas pessoais. Se Deus me aceitou em Cristo Jesus, com todos os meus pecados, traumas, defeitos e imperfeições, por que eu tenho de me fantasiar? É a graça que assegura a nossa aceitação. Somos salvos pela graça e somos santificados pela graça. Dr. Lloyd-Jones disse: Tudo é pela graça na vida cristã, do início ao fim. O Deus de toda graça é o autor de toda a salvação e santificação do homem.
A graça plena de nosso Senhor Jesus Cristo transforma lobos em cordeiros, pecadores em santos, monstros em anjos. Os transformados pela graça são convocados para o ministério da graciosa graça. A Igreja de Jesus Cristo é um organismo da graça, a serviço da graça. Fomos aceitos pela graça então somos chamados a aceitar, pela graça, os que caíram. Natã é este modelo de Deus para pecadores caídos. Ele exorta, mas ele ama a Davi.
Glênio Fonseca diz no seu livro O Meu Cálice Transborda: “O princípio da graça é transformar o débito em crédito, a miséria em abundância, a fraqueza em força, a enfermidade em saúde, o pecado em santidade, o inferno em céu” (PARANAGUÁ, 2006, p. 56).
Saibamos de algo precioso: não fomos chamados pela graça para vivermos no pecado ou na anti-graça. O mesmo Deus que perdoa nos purifica e nos santifica para vivermos honestamente. Ele nos lembra sempre que onde abundou o pecado, superabundou a graça (Romanos 5.20b). Quem foi perdoado plenamente pela graça, sabe perdoar totalmente, pela mesma graça. Todos os que receberam da graça, sabem dar graciosamente. A romancista e humanista secular Marghanita Laski afirmou, em uma entrevista de TV: “O que eu mais invejo em vocês, cristãos é o seu perdão. Eu não tenho ninguém que me perdoe”. Fomos perdoados completamente por nosso Senhor Jesus Cristo e por isso podemos começar de novo assim com Davi.

LUCADO, Max. Derrubando Golias Descubra como superar os maiores obstáculos de sua vida. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2007.
PARANAGUÁ, Glênio Fonseca. O Meu cálice transborda. Londrina – Paraná: Ide, 2006

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