quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A realidade da estrutura humana


- Texto para reflexão: O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece. Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova (Jó 14.1-2;7-9).

A palavra sofrimento diz respeito aos infortúnios que são da vida humana. E Jó é campeão bíblico em falar de sofrimento. Ele é tão sofredor que tem uma visão correta dos limites da criação. Ele diz que É dito que o homem, nascido de mulher vive breve tempo, cheio de inquietação. Que texto atual não!
Vivemos um tempo mui breve mesmo. Passamos pela vida como uma nuvem mesmo. As coisas vão acontecendo e quando olhamos já foram anos da vida. E percebemos que os dias são de aflições e de inquietações. São as contas que não conseguimos pagar. São as oportunidades que escapam das nossas mãos. São as perdas de queridos que amávamos e não veremos mais. A nossa vida é cheia de inquietação e tristezas. Convivemos com a tristeza e com a alegria, com a decepção e com as conquistas, com as chateações e realizações, com a morte e com a vida, com a juventude e com a velhice. E de certa forma isto vai se parecendo com a afirmação de Jó sobre a flor que vem e murcha e com a sombra que vai embora rápido. Só que o texto não para aí. Qual a esperança diante de tanta realidade sobre a nossa estrutura?

1. Há esperança para nós em Cristo Jesus:

Ele continua e nos versículos 7 a 9 vemos que há esperança para nós mesmo diante da realidade da nossa brevidade como seres humanos e mesmo no meio de aflições.
Há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará e não cessarão os seus rebentos. Jó diz mais: Se envelhecer na terra a sua raiz e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova.
O que isto quer dizer? É que mesmo no meio das aflições do tempo presente, mesmo no meio de todas as tristezas. Tudo isto não se compara à glória que será revelada em nós (ver Cl. 3.4; II Ts. 1.7-12; 2.14; I Pe. 1.13; 4.14; I Jo. 3.2).

2. Somos os ramos da videira celestial.

Nada, absolutamente nada pode nos roubar a esperança em Jesus. O futuro que está reservado à nós em Cristo mesmo diante das aflições do tempo presente, é melhor do que a brevidade e dificuldades que passamos. Há esperança para nós. É nesta bendita esperança que podemos descansar, convictos de que nada nos separará do amor de Cristo (Rm. 8.35). As tribulações, angústias, perseguições, fome, nudez, perigo ou espada. As circunstâncias do tempo presente nada podem contra aqueles que estão guardados em Cristo Jesus (Jr. 31.3; Jo. 10.28; 13.1; II Ts. 2.13-16). O amor de Cristo é revelado a nós por meio do Pai e isto traz esperança viva no coração. E isto nos torna pessoas cheias de esperança e com numa visão correta acerca da estrutura humana. Como C. S. Lewis afirma:

“Nós somos, não em metáfora mas verdadeiramente, uma obra-de-arte divina, algo que Deus está fazendo, e portanto, algo com o qual ele não ficará satisfeito até que possua umas tantas e determinadas características. Defrontamos de novo aqui com aquilo a que dei o nome de "elogio insuportável". O artista pode não se preocupar muito com o esboço feito com negligência para divertir uma criança: ele pode deixá-lo ficar como está, mesmo que não seja exatamente aquilo que pretendia que fosse. Mas em relação ao grandioso quadro de sua vida - o trabalho que ama, embora de forma diversa, tão intensamente como o homem ama uma mulher ou a mãe a um filho – ele se aplicará intensamente - e iria sem dúvida dar muita preocupação ao quadro se este tivesse sensibilidade. Podemos imaginar um quadro sensível, depois de ter sido apagado e raspado e recomeçado pela décima vez, desejando não passar de um esboço simples feito num minuto. Da mesma maneira, é natural para nós desejar que Deus nos traçasse um destino menos glorioso e menos árduo; mas, assim, não estaremos então desejando mais amor e sim menos amor” (LEWIS, O problema do sofrimento, 2005, p. 19).

Que Deus nos dê a graça de entendermos a nossa estrutura e assim buscarmos cada vez a graça dele para a nossa vida!

Alcindo Almeida
IGREJA PRESBITERIANA DE PIRITUBA
LEWIS, C. S. O problema do sofrimento. São Paulo: Vida, 2005.

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