segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Saber envelhecer

Henri Nouwen tem um livro muito precioso chamado: Envelhecer a plenitude da vida. Ele afirma que “esperar pacientemente em expectativa não significa necessariamente que tudo fique mais fácil à medida que envelhecemos. Pelo contrário, à medida que avançamos em idade, somos tentados a estabelecer uma forma de rotina de vida e dizer: Bem, eu já vi de tudo. Não há nada de novo sob o sol. Eu estou apenas indo com calma e levo os dias como eles vêm. Mas desta forma a nossa vida perdem sua tensão criativa. Nós não mais esperamos que algo realmente novo aconteça. Tornamo-nos cínicos, auto-satisfeitos ou simplesmente entediados.”
Ele diz que o desafio de envelhecer é esperar com paciência cada vez maior e com uma expectativa cada vez mais forte. É viver com uma esperança ansiosa. É confiar que através de Cristo tivemos acesso a essa graça e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus.” (Romanos 5:2).
O envelhecimento implica num remanejamento de si e da relação com o mundo. Ele é o tempo que perdemos mais da nossa capacidade física. Ninguém sabe onde a sua velhice o leva. Sabemos que a medida que o tempo vai passando, o nosso corpo perde sua evidencia, ele passa a sofrer insistentemente. A ida ao medico aumenta e as doenças e dores aumentam consideravelmente. Reduzimos as atividades porque o cansaço realmente fica bem presente. O envelhecimento traz consigo a solidão porque as pessoas mais próximas e importantes que nos acompanhavam. Aquelas que davam sentido à realidade social do nosso universo e da nossa identidade vão se distanciando de nós porque passamos a esquecer mais dos detalhes, ficamos mais lentos no raciocínio e não temos o mesmo vigor para falar como antes. 
Bem, o envelhecimento é algo que não tem escapatória. Todos nós estamos na estrada que passará pelo envelhecimento. A diferença é como passamos por ela. Alguns passam com pesar, reclamam, choram, entram em depressão, ficam solitários e fechados. Outros entendem que viver não é simplesmente existir, mas desfrutar qualidade que há na vida, olhando para dentro de si mesmos e percebendo que há potencialidade a serem desenvolvidas mesmo na velhice. 
Uma pessoa de longa jornada tem história de vida que podem ser retransmitidas. Uma pessoa de longa jornada tem sentimentos, tem coração e pode contribuir para ensinar os mais jovens que ainda não passaram pela jornada longa que ela passou. O grande teólogo Paulo foi um instrutor do jovem pastor Timóteo no fim da sua vida. Com as marcas profundas da alma ele disse ao jovem: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará.
O envelhecimento não é um defeito, não é algo ruim para vida. Ele é o processo natural de todos os seres humanos. Crescemos, ficamos jovens, adultos e chegamos na velhice. Nessa caso, a velhice é uma lenta retirada que se traduz na experiência de deixar legados da vida vivida com sentido na presença de Deus, assim como Paulo viveu e pode combater o combate com sua fé inabalável naquele que é o Senhor da nossa existência e tem todos os dias da vida contados. (Alcindo Almeida)

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