Uma faxina divina na alma


A correria muitas vezes nos rouba de nós mesmos e como precisamos parar um tempo, para fazer uma faxina na alma. Ela é necessária para removermos aquilo que pode ser prejudicial para nós. A faxina nos ajuda a limpar as cargas emocionais, as mágoas e as frustrações que ficam nas gavetas interiores e ela traz um grande alívio dentro de nós mesmos. Lembro-me das palavras de Davi no Salmo 139.23 e 24: Investiga minha vida, ó Deus, descobre tudo a meu respeito. Interroga-me, testa-me; assim, terás uma ideia clara de quem sou. Vê por ti mesmo se fiz alguma coisa errada e, então, guia-me na estrada que conduz à vida eterna. Ele sabia que na presença do Eterno tinha a faxina divina na alma.
Davi diz para Deus ser o seu psicanalista, seu psicólogo e seu psiquiatra. Ele expõe os seus pensamentos, suas preocupações e suas ansiedades diante de Deus. Ele diz: Deus vê os modos como eu falo, vê a minha maneira de comportar-me. Davi sabia muito bem da condição do coração do homem que é corrupto e miserável. Por isso, ele pede para que o Senhor o dirija, para que não se desvie dos caminhos eternos do Eterno Deus. Ele disse no Salmo 51.10: Cria em mim um coração puro ó Deus e renova em mim um espírito reto. Essa abertura de coração nos convida a pedir ao Senhor sempre: Senhor vê o meu namoro, vê os meus relacionamentos, vê os meus negócios, vê meus pecados. E se há algum problema em mim, Senhor, dá uma guinada, faze uma mudança na minha vida. Para que eu não te entristeça, para que eu não me desvie do caminho eterno. Talvez seja isso que os Arrais queiram dizer na letra da canção Oração:

"Em oração eu trilho o caminho que Jesus abriu
Até o trono onde sua graça flui como um rio
Santo, santo, anjos cantam, santo
E pela fé caminho até avistar o autor da minha fé
E o que eu posso oferecer para honrar quem Ele é
Santo, santo, anjos cantam, santo
E ao partir me viro, eu sou indigno
Mas sua voz me diz não vá meu filho!
Torne meu sofrimento em testemunho
Esvazia-me de mim e deste mundo
E que o meu nome morra com meu corpo
E que o de Cristo permaneça em tudo
Que eu receba aquilo que preciso e nem um pouco mais
Dá-me os bens que de imediato eu abandone
Santo, santo, eu canto, santo, santo
Torne meu sofrimento em testemunho
Esvazia-me de mim e deste mundo
E que o meu nome morra com meu corpo
E que o de Cristo permaneça em tudo
Em nome de Cristo, no nome de Cristo. Amém”.

Chamo a atenção para essa frase importante: “Esvazia-me de mim e deste mundo e que o meu nome morra com meu corpo. E que o de Cristo permaneça em tudo". Muitas vezes vigiamos os pensamentos e nunca vigiamos os desejos e sentimentos. Quais são os desejos e sentimentos que têm subido ao nosso coração?
O casamento exige de nós uma atenção profunda. Não podemos deixar que os desejos sejam atropelados por nós mesmos. Por isso, devemos ser sinceros na relação com o nosso cônjuge. E isto deve acontecer com o nosso Deus também. Precisamos conhecê-lo a cada dia e pedir para que ele sonde os desejos do coração. Sabem como podemos conhecer a Deus? 
À medida que conhecemos a nós mesmos, pois quando nos conhecemos mais, também conhecemos mais a Deus. Foi Agostinho de Hipona que disse essas palavras e estava certo mesmo. Depois na teologia de Calvino, vemos essa mesma ideia que mexe com o coração. Pois, quando reconhecemos que Deus sabe tudo, que Deus conhece tudo, olhamos para nós mesmos e entendemos que somos pequenos demais diante dele.
Quando reconhecemos que ele é onipresente (está em toda parte), olhamos para nós e vemos o quanto ele é imenso e o quanto ele está acima de nós. Quando reconhecemos que ele é o nosso grande e maravilhoso criador, queremos conhecê-lo mais, para descobrir cada momento, um pouco mais da sua majestade e do seu poder. E nos colocamos mais em suas mãos para que Deus nos conduza nos seus caminhos. E oramos mais pedindo uma faxina divina da alma.
O escritor e monge Anselm Grun afirma que “somos chamados à tarefa de tornar Deus perceptível às pessoas, de modo que o anseio espiritual delas seja atendido. Somente através de uma descoberta honesta, as nossas imagens podem ser transformadas e nós podemos nos reconciliar conosco e com Deus”. Acredito que essa reconciliação começa com essa faxina divina da alma. Quando nos abrimos diante de Deus e dizemos quem somos, como estamos e o que precisamos. O salmista Davi vai lá no fundo mesmo quando diz: Investiga minha vida, ó Deus, descobre tudo a meu respeito.
Precisamos aprender esta realidade espiritual para que vivamos uma vida mais sadia, mais humana e mais leve em todos os processos dela.
Que o Senhor nos ajude e faça a faxina divina da alma em nós!

Alcindo Almeida – membro da equipe pastoral da IPAlpha.

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