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Uma vida interior


Os dias que vivemos, não há muito o que fazer, apenas ficar em casa. Porque não temos mais agendas lotadas de reuniões, atendimentos, visitas e planejamentos. Nem metas temos para alcançar nesses dias de reclusão. Os dias se estendem num momento de profunda limitação das quatro paredes. Saímos do quarto para a sala e da sala para a cozinha. Estamos confinados num espaço fechado, alguns com alguma abertura de um jardim ou uma rua de condomínio, mas a possibilidade de contato com pessoas reduziu consideravelmente.
As noticias são alarmantes, os casos de Coronavírus sempre aumentando, os leitos ocupados e chegam as informações das pessoas próximas de nós, que estão contaminadas. Surgem as perguntas diversas para a nossa alma: O que podemos fazer? Para onde ir? Que medidas tomaremos? Com quais médicos falamos? Como instruir o nosso povo diante dos desafios do Evangelho?
Agora, mais do que nunca, a mensagem que pregamos ao povo, como pastores, precisa fazer sentido para nós em primeiro lugar. Estamos vivendo a realidade e possibilidade da nossa própria morte. Essa é a hora de realmente cultivarmos dentro de nós o silêncio e a solidão, que ensinamos aos membros das igrejas. Agora é uma boa hora para abandonarmos as vozes externas que nos davam uma sensação de bem estar, no meio de todos e confiar na voz interior do Espirito Santo, que realmente traz todo sentido e alivio profundo para o coração.
Lembro-me das palavras de Davi no Salmo 5:3: De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando. Na calamidade Davi ora a Deus, logo pela manhã, fala com Deus na sua devoção com a certeza de que Deus o ouvirá do jeito divino. A oração matutina nos prepara para a ação, ela nos prepara para esperarmos a resposta da parte de Deus. Pela manhã podemos buscar a face de Deus, a fim de entendermos sua vontade para nós. Este é um item que devemos dar mais importância na vida espiritual.
Como diz Richard J. Foster no seu livro Celebração da Disciplina - O Caminho do Crescimento Espiritual: “A oração arremessa-nos à fronteira da vida espiritual. É pesquisa original em território inexplorado. A meditação nos introduz na vida interior; o jejum é um recurso concomitante, mas a disciplina da oração é o que nos leva à obra mais profunda e mais elevada do espírito humano. A oração verdadeira cria e transforma a vida.”
Orar é mudar. A oração é a avenida central que Deus usa para nos transformar. Davi sabe disto e, por isso, ele diz que pela manhã, Deus ouve a sua voz. E diz também que pela manhã ele apresenta sua oração e vigia.
Vejam que Davi não vê a oração como mais um item na sua agenda espiritual. Para Davi, a oração é uma característica essencial da sua vida. Ele sabe que quanto mais se aproximar do pulsar do coração de Deus, mais ele verá a necessidade de amar ao Eterno da sua vida.
As palavras de Marcos falando sobre o nosso mestre nos chamam a atenção para o tempo de oração. Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava. (Marcos 1.35) O estilo de vida de Jesus era o da oração, e olhem que é o próprio Deus Filho que nos motiva e nos direciona para a oração.
Aprendamos a orar assim! (Alcindo Almeida)

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