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Leituras em janeiro de 2020


 1.             ROTTERDAM, Erasmo. Elogia da loucura. São Paulo: Editora Lafonte, 2017. Neste libelo do teólogo Erasmo de Rotterdam (1469?-1536), quem fala é a Loucura. Sempre vista apenas como uma doença ou como uma característica negativa e indesejada, aqui ela é personificada na forma mais encantadora. E, já que ninguém lhe dá crédito por tudo o que faz pela humanidade, ela tece elogios a si mesma. O que seria da raça dos homens se a insanidade não os impulsionasse na direção do casamento? Seria suportável a vida, com suas desilusões e desventuras, se a Loucura não suprisse as pessoas de um ímpeto vital irracional e incoerente? Não é mérito da Loucura haver no mundo laços de amizade que nos liguem a seres perfeitamente imperfeitos e defeituosos? Nas entrelinhas de Elogio da Loucura, o humanista Erasmo critica todos os racionalistas e escolásticos ortodoxos que punham o homem ao serviço da razão (e não o contrário) e estende um véu de compaixão por sobre a natureza humana. Pois a Loucura está por toda parte, e todos se identificarão com algum dos tipos de loucos contemplados pelo autor. Afinal, como ele próprio diz - Está escrito no primeiro capítulo do Eclesiastes - O número dos loucos é infinito. Ora, esse número infinito compreende todos os homens, com exceção de uns poucos, e duvido que alguma vez se tenha visto esses poucos. Contém 111 páginas.

2.             NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal. São Paulo: Editora Lafonte, 2017. Além do bem e do mal é uma das obras mais representativas de Nietzche. Nela estão quase todas as questões que caracterizam o pensamento do filósofo. Ideias como vontade de poder, amarras religiosas e a singularidade do homem desafiam o leitor a refletir. Contém 224 páginas. 

3.             KELLER, Timothy. O profeta pródigo: Jonas e o mistério da misericórdia de Deus. São Paulo: Editora Vida Nova, 2019. Como Deus pode ser as duas coisas, misericordioso e justo? Essa pergunta não é respondida no livro de Jonas. No entanto, como parte da Bíblia como um todo, o livro de Jonas é semelhante a um capítulo que impulsiona o enredo geral das Escrituras. Ele nos ensina a olhar para o futuro e ver como Deus salvou o mundo por meio daquele que se dizia maior que Jonas (Mt 12.41), a fim de que pudesse ser justo e também justificador daqueles que creem (Rm 3.26). Em O Profeta Pródigo, Timothy Keller revela as camadas escondidas do livro de Jonas e mostra que, apesar de o protagonista dessa história ter sido um dos piores profetas de toda a Bíblia, ele tem muito em comum com a Parábola do Filho Pródigo e com o próprio Jesus, o qual vê muitas semelhanças entre si e o “profeta pródigo”. Keller interpreta a extraordinária (e enigmática) conclusão dessa história e nos mostra a poderosa mensagem por trás da vida de Jonas: a extraordinária graça de Deus. Somente quando nós, leitores, compreendermos inteiramente esse evangelho é que não seremos nem exploradores cruéis como os ninivitas, nem crentes farisaicos como Jonas, mas, sim, homens e mulheres à imagem de Cristo, transformados pelo Espírito. Contém 208 páginas.

4.             GRÜN, Anselm, Assländer, Friedrich. Trabalho e Espiritualidade - Como dar novo sentido à vida profissional. Rio de Janeiro: Vozes Nobilis, 2014. Muitos acreditam que espiritualidade e trabalho estariam em contradição. Aqueles que trabalham muito não seriam espirituais, e pessoas espirituais trabalhariam menos. Contrariando essa afirmação, Anselm Grün e Friedrich Assländer mostram em “Trabalho e Espiritualidade” como a união da oração e do trabalho dá certo e como a pessoa espiritual encontra um sentido em seu trabalho, independentemente de aspiração profissional e de sucesso. Contém 184 páginas.

5.             EAGLETON, Terry. A morte de Deus na cultura. São Paulo: Editora Record, 2016. O autor investiga as contradições, dificuldades e significados do desaparecimento de Deus na era moderna. Com base em um vasto espectro de ideias e problematizações de pensadores desde o Iluminismo até os dias de hoje, o autor discute o estado da religião antes e depois do 11 de setembro; as ironias do capitalismo ocidental, que deu origem à criação não apenas do secularismo, mas também do fundamentalismo; e os insatisfatórios substitutos surgidos na era pós-iluminista a fim de preencher o vazio deixado pela ausência de Deus. Com a lucidez e elegância que caracterizam o seu estilo, o autor reflete sobre as capacidades únicas da religião, a possibilidade da cultura e da arte como caminhos modernos para a salvação, o impacto no ateísmo da chamada guerra ao terror, e muitos outros tópicos importantes para aqueles que vislumbram um futuro em que comunidades misericordiosas prosperem. O resultado é um estudo do pensamento moderno que também serve como intervenção oportuna e extremamente necessária em nosso preocupante cotidiano político, a nos advertir, sem hesitar: se Deus está morto, o próprio homem também está chegando ao fim. Não restaria, portanto, muita coisa a desaparecer. Contém 224 páginas. 

6.             SHELLEY, Bruce. História do cristianismo: Uma obra completa e atual sobre a trajetória da igreja cristã desde as origens até o século XXI. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018. Já em sua quarta edição nos Estados Unidos, História do cristianismo tornou-se a principal escolha de leigos e líderes religiosos, inclusive sendo utilizado como texto-base em diversas salas de aula. De maneira clara e organizada, Dr. Bruce Shelley apresenta neste grande clássico a trajetória da igreja cristã para os leitores de hoje, usando como pano de fundo a vida de personagens importantes – suas motivações, as questões com as quais tiveram de lidar, as decisões que tomaram. O resultado é a História que se lê como uma história, quase tão dramática e emocionante como um romance. No entanto, não há ficção aqui, mas um trabalho minuciosamente pesquisado e cuidadosamente elaborado por Shelley com precisão histórica. A popularidade contínua deste livro comprova o sucesso da realização de seu propósito: tornar a história da igreja clara, inesquecível e acessível para todos os leitores. Contém 550 páginas.

7.             YANCEY, Philip e Paul Brand. Feito de um modo especial e admirável. A harmonia entre o mundo natural e o espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2011. Veja essa extraordinária comparação do corpo humano com o corpo de Cristo dada pelos autores Philip Yancey e Paul Brand, fazendo um jogo com a análise desde as células, ossos, órgãos, e outros, trazendo a vida cristã no seu âmago e relevando cada detalhe que é muito importante nas pessoas, nas concepções, condutas e outros. A ala evangélica da fé, de modo especial, tende a fazer crer que todas as respostas podem ser codificadas em uma declaração abrangente de fé. Quem questiona doutrinas básicas é às vezes tratado como um estranho no Corpo de Cristo e é obrigado a passar pela humilhação da culpa e da rejeição. Por esse motivo, no mundo evangélico, a dúvida é muitas vezes um fenômeno privado. Aquele que, dentre nós, é tentado a ostentar esse tipo de severidade, deve retornar à analogia dos ossos vivos. Os novos crentes precisam de tempo para que os ossos da fé se fortaleçam. Contém 262 páginas. 

8.             HOPKINS, Evan. O andar que agrada a Deus. Londrina: Editora Ide, 2018. Fomos, pois, sepultados com Ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida (Rm 6:4). É de primordial importância que possamos ver claramente, não somente o destino final deste “andar”, mas também o seu ponto de partida. Uma característica marcante de todo o ensino do Santo Espírito é que Ele sempre nos conduz a Cristo, a algum fato no qual Cristo é o centro. Na passagem onde ocorrem as palavras, assim também andemos nós em novidade de vida, nossos pensamentos são direcionados para o fato histórico da crucificação de Cristo, com o objetivo de mostrar a origem e o motivo de nossa justificação. Revelando também a fonte e o segredo da nossa libertação prática da servidão ao pecado. Contém 112 páginas. 

9.             GONZÁLEZ, Justo. Cultura e Evangelho. O lugar da Cultura no Plano de Deus. São Paulo: Editora Hagnos, 2008. O desafio da missão cristã consiste, segundo o doutor, González, em entender correta e teologicamente o que é a cultura, que lugar ocupa no plano de Deus, como funciona e qual é a relação da igreja com a cultura, porque somente assim poderemos entender a nós mesmos e também nossa missão. Os sete capítulos do livro abordam magistralmente temas fundamentais: a relação entre fé e cultura, cultura e criação, cultura e pecado, cultura e diversidade, cultura e evangelho, cultura e missão e cultura e culto. Trata-se, portanto, de um livro muito útil e necessário para a vida e missão da igreja na América Latina. Contém 184 páginas. 


10.          NOUWEN, Henri. Pobres palhaços em Roma. Reflexões sobre solidão, celibato, oração e contemplação. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1997.  Este livro nasceu durante umas poucas semanas de permanência do autor em Roma. Nesse tempo ele percebeu que no grande cenário que Roma representa, às vezes, os protagonistas não são nem os cardeais, nem a brigada vermelha, e nem sequer os grandes monumentos históricos. A história real da cidade é contada pelos palhaços. Esses palhaços aparecem nos intervalos dos atos, fazendo-nos rir e relaxar das tensões criadas pelos grandes heróis que viemos admirar. Contém 112 páginas.

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