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O menino que chorou profundamente

Ontem comentava com duas amigas aqui da igreja sobre algumas surras de fio que levei do meu pai. Uma vez, quando meu pai deu a última pancada de fio, caí no chão e meu corpo latejava de dor. Quando minha vizinha viu (Maria Inês), partiu para cima do meu pai e dizia: Seu monstro, seu desumano! Você matará seu filho de tristeza! Você não merece viver! Suma da vida desse menino e o deixe em paz! Depois, ela e a minha mãe começaram a fazer os curativos. Minhas pernas estavam iguais as dos escravos, quando levavam chicotadas dos seus senhores, na época da escravidão. 
No outro dia, tinha educação física, o professor pediu para todos tirarem o agasalho. Só eu fiquei com a calça. Ele disse: Alcindo, tire a calça! Eu respondi: não posso professor Sidnei. Ele respondeu: tira ou paga 40 flexões. Claro que tirei imediatamente! Quando ele veio perto de mim, seus olhos se encheram de lágrimas e me levou para a diretoria. Falei tudo o que aconteceu, o meu professor chorou e disse: Alcindo, me desculpa por isso, não sabia que suas pernas estavam nessa condição! 
A minha alma chora só de pensar nesses momentos! Senti vontade de morrer nesses dias terríveis! Quando vi Doze anos de escravidão, chorei igual a uma criança! Veio na memória tudo o que passei. As lembranças são muito fortes na mente da gente. 
O fato é que Deus me sustentou e não permitiu que enlouquecesse e nem me envolvesse com drogas e outras coisas daquela época. Era fácil demais um menino de dez anos se perder, passavam muitas coisas na mente quando eu apanhava desse jeito do meu pai. 
Bom, pela graça, Deus na sua rica misericórdia e bondade, me preparou para o ministério sagrado, para que cuidasse de gente que sofre, gente que chora e passa por lutas profundas na vida! Roubando as palavras de Henri Nouwen, hoje sou o curador ferido porque toda vez que ouço alguém com dores na alma, me sinto próximo e tenho empatia. Se alguém passou por isso, ficam as lembranças duras, mas ao mesmo tempo, o coração pode agradecer porque Deus preservou, guardou e nos trouxe até aqui vivos e cheios da graça consoladora dele para toda a vida! (Alcindo Almeida) 

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