Um coração em paz dá saúde ao corpo,
mas a inveja corrói os ossos (Prov. 14.30).
Conta-se
a história de um rei que queria saber o que era pior, se ser avarento ou
invejoso; então chamou duas pessoas e disse: Para um de vocês darei tudo que pedir, mas ao outro darei o dobro.
Então o invejoso disse: Deixe-me ver se
entendi bem, Sua Majestade, tudo que eu pedir, o senhor me dará, mas ao outro
dará o dobro? Sim, disse o rei. Então o invejoso disse para o avarento: Peça você primeiro. Por favor, disse o
avarento, primeiro os cavaleiros. Que sim, que não; então o invejoso disse: Certo, peço primeiro. Que me tirem um olho. Moral
da história, que o outro ficasse totalmente cego!
Isso tem tudo a ver
com essa palavra chamada de inveja. A palavra inveja provém do latim invidia que significa: "eu vejo". A inveja é um
sentimento destrutivo. A inveja nos tira do foco e conduz a nossa energia para
o lado errado, para "o outro", ao invés de buscar dentro de nós
mesmos, as melhores oportunidades. A inveja é um sentimento tão completo e cego,
que não nos permite ver o que está à frente nem aquilo que só pertence a nós
mesmos.
A
inveja é o veneno daqueles que acham que não foram escolhidos. Harold Boris
escreveu: "A inveja carrega consigo
um tipo especial de tormento. Além de nos sentirmos deficientes, defeituosos e
cheios de ódio na nossa solidão, também
nos sentimos diminuídos e até humilhados”.
Inveja
é querer o que o outro tem e sentir-se mal por não ter. Inveja é desprezar a
bondade de Deus para com as outras pessoas e rejeitar a bondade dele para
consigo mesmo. Inveja é um desejo misturado ao ressentimento. Inveja é falta de
fraternidade. O teólogo da Bíblia chamado Paulo disse: Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. A
inveja nos faz chorar quando os outros se alegram e nos alegrar quando os
outros choram [1].
A
inveja é perigosa porque vai contra o outro. Pecados como a ganância e a
luxúria tratam simplesmente de suprir os
próprios desejos. A inveja não busca apenas suprir o próprio prazer, mas
diminuir o prazer de quem é invejado. A inveja nos transforma em seres
intolerantes em relação ao sucesso dos outros. Sofremos por termos menos
dinheiro, menos felicidade do que o vizinho. O objetivo é sempre ter "mais
quantidade" daquilo que o outro tem, ainda que seja à custa da dor.
Vejam
que no texto Salomão traz uma conclusão séria para o ser humano: a inveja corrói os ossos. Esse negócio
esquisito que é parte de seres humanos caídos é igual ao veneno
mesmo. No ensino de Salomão
a inveja mata, despedaça, ela sem sombra de dúvidas corrói a alma do
invejoso. Esse pecado terrível acontece, por vezes, de forma tão sútil que nem
costumamos comentá-lo na soma do nosso pecado. Sabemos que muitos ministérios entraram
em guerra por causa da inveja, homens, mulheres e até crianças foram vitimados
por esse mal terrível que assola o coração humano.
Na conclusão de
Salomão, a inveja faz com que pessoas capacitadas se entreguem a inércia, faz
com que nações se destruam e faz também com que nós tenhamos contendas, ódio e
repulsa para com os outros.
Qual o remédio para a
inveja?
ü
Tenhamos
uma autoestima sadia:
Salomão
diz que um coração em paz traz saúde ao corpo. Quando o nosso “eu” interior está
seguro. Quando sabemos da nossa identidade sadia e sem inseguranças, não sentimos
inveja das pessoas ao nosso redor. Interessante que o escritor bíblico chamado Tiago diz algo bem sério: Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a
obra perversa.
O
mundo está infestado de vidas obcecadas em vidas alheias, em conquistas de
terceiros, são vidas que não conseguem ver o que está na frente delas mesmas. A
grande verdade é que somente os que têm paz no coração, conseguem viver sem o
envolvimento no olhar soberbo que gera a inveja. Só os que têm a identidade em
Deus conseguem viver sem a inveja na alma e no coração.
É
imprescindível termos a autoestima sadia porque ela não busca reconhecimento, nem
fama e nem se move por conveniências. Ela só foca na satisfação de ser eficaz e
contribuir para o bem. Uma autoestima sadia nos faz livres da bajulação e de
necessidade de aplausos e reconhecimentos humanos.
ü
Não invejemos ninguém, apenas
admiremos:
Por
que nos incomodamos quando falam bem de outra pessoa e não de nós? Por que
ficamos com inveja porque alguém comprou um carro que ainda não conseguimos
comprar? Resposta: por causa dessa palavrinha: inveja. A dica de Salomão nos
faz refletir demais: A inveja corrói os
ossos. A inveja nos impede de admirar o outro por causa do sucesso e das conquistas
dele.
Precisamos
ser humildes na vida e quando alguém prosperar, melhorar e avançar, devemos
aprender a celebrar e a festejar os sucessos. Quando conseguimos fazer isso,
significa que aplaudimos o Criador porque as pessoas venceram na vida.
Devemos
olhar para cada conquista do outro como um motivo de gratidão a Deus e deve ser
um desafio e fonte de inspiração para crescermos nos espaços que Deus tem nos
dado, mas não podemos sentir inveja dos outros.
Interessante
que o teólogo Paulo disse para a igreja dos Gálatas que sofria dores de parto
até que Cristo fosse formado nela, ou seja, o crescimento e a maturidade desses
membros da comunidade causaram uma grande alegria e satisfação no homem de
Deus.
O
convite para nós é que podemos admirar ao invés de invejar. A palavra inveja
quer dizer "eu vejo". A palavra admiração significa: "eu olho
para". Invejar quer dizer olhar mal e admirar, implica em "olhar
para". Ambas têm a ver com olhar, só que a diferença é que a inveja traz
raiva e a admiração motiva.
Finalizo
citando um texto rico de exemplo do nosso Senhor Jesus Cristo de Nazaré: Ponham o interesse próprio de lado e ajudem
os outros em sua jornada. Não fiquem obcecados em tirar vantagem. Esqueçam-se
de vocês o suficiente para estender a mão e ajudar. Tentem pensar como Cristo
Jesus pensava. Mesmo em condição de igualdade com Deus, Jesus nunca pensou em
tirar proveito dessa condição, de modo algum.
Que
o Senhor no ajude a viver bem e longe da inveja que destrói nossa alma e nosso
coração!
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Alcindo
Almeida é membro da equipe pastoral da Igreja Presbiteriana da Alphaville em
São Paulo.

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