Estudo 22
(II Samuel 21.8-14)
(II Samuel 21.8-14)
Rispa tem como significado do nome: pedra ou brasa ardente. Ela foi a
concubina de Saul e mãe de Armoni e de Mefibosete. Embora fosse uma mulher com
poucos direitos e com pouco poder, ela demonstrou grande coragem e lealdade
depois da morte dos dois filhos. Conforme nos informa o texto de II Samuel 21.9 seus únicos filhos foram executados, tendo os corpos desonrados
por causa do crime do pai.
Quando Saul morreu, seu filho Is-Bosete ocupou
seu lugar no comando de 11 tribos (Davi governava Judá). Durante seu breve
reinado, Abner tornou-se cada vez mais poderoso e, por isso, o rei o acusou de
ter dormido com Rispa, a concubina do seu pai (II Sm 3.7). Não se sabe ao certo
se a acusação tinha fundamento ou se foi apenas uma manobra pela qual Is-Bosete
tencionava livrar-se da ameaça de Abner.
O nome de Rispa é citado novamente em II
Samuel 21.8,10,11. Um grave período de fome, que durou três anos, levou Davi a
perguntar ao Senhor qual era a causa. E a resposta foi que tudo foi por causa
da tentativa de Saul de destruir os gibeonitas e, assim, quebrar o pacto que
Josué fizera com eles (conferir no texto de Josué 9). Então Davi, ao invés de
perguntar a Deus o que fazer, perguntou aos gibeonitas, que foram prejudicados.
O que fazer para contornar a situação? A resposta foi que eles pediram para serem
entregues os sete descendentes de Saul para que fossem mortos e assim aplacasse
a ira deles.
Os filhos de Rispa com Saul, com exceção de
Mefibosete, foram entregues pelo rei. Seus corpos foram deixados expostos em
Gibeá. Diante de tudo isso, a mãe Rispa pegou um pano de saco, sentou-se sobre
uma pedra perto dos cadáveres e não permitiu que os abutres, nem animais
tocassem nos seus filhos. O texto afirma: Desde
o princípio da sega, até que a água caiu do céu (II Sam. 21.10). Davi,
impressionado com a dor e a preocupação daquela mãe, ordenou que os corpos de
seus filhos, bem como o de Saul e Jônatas, fossem sepultados juntos no túmulo
de Quis, em Zelar, na região de Benjamim (vs 11-14). Esta cena durou por vários
meses, desde o meado de abril até outubro.
Percebemos a dor da morte e a tristeza
profunda que essa mãe passou. Ver seus filhos mortos causou uma angústia sem
consolo. Vejamos o que o texto nos ensina através de Rispa.
1.
Mesmo no meio das perdas da vida
sejamos leais em tudo:
Rispa é uma mãe que tem completa consciência
de que a desobediência causou danos terríveis para sua própria casa. As falhas
de Saul refletem no coração e na família dela. Diante do que foi feito com os
gibeonitas, ela precisou abrir mão por causa de um compromisso de lealdade para
aplacar a ira desses homens.
Ela é tão leal e séria no seu compromisso que
quando é para fazer justiça, e o rei já tinha decretado a ação em relação aos
seus filhos. Então, ela entrega-os aos gibeonitas para que a justiça fosse
feita. Através dessa mulher aprendemos a ser leiais na vida em todos os
aspectos. Mesmo que isso custe um preço alto. A lealdade foi tão marcante que
chamou a atenção do rei Davi.
Vemos que pessoas são falhas em pequenas
coisas da vida, muitas vezes mentimos, burlamos processos para nosso próprio
benefício. Muitos não cumprem o que falam, voltam atrás nos juramentos. Essa
mulher tem uma situação que aconteceu envolvendo Saul. A tentativa de
destruição dos gibeonitas resultou numa divisão e conflito para com sua
família. Agora, tem que sanar a questão e dentro de uma fala de Davi. A fala
dos gibeonitas foi: O homem que nos destruiu, e intentou contra nós de modo que
fôssemos assolados, sem que pudéssemos subsistir em termo algum de Israel. De
seus filhos se nos dêem sete homens, para que os enforquemos ao Senhor em Gibeá
de Saul, o eleito do Senhor. E disse o rei: Eu os darei (2 Samuel 21.5-6).
E Davi teve de fazer isso envolvendo o coração
de Rispa que entregou seus filhos sendo leal, submissa e humilde diante da
decisão de Davi.
Dicas para o coração:
ü
Seja leal na
vida mesmo que custe a própria vida;
ü
Seja leal por
causa do temor a Deus;
ü
Seja leal
mesmo no meio de dores e angústias.
2.
Não desistamos de fazer o bem na vida
mesmo no meio da dor:
Fico imaginando Rispa vendo seus filhos mortos
por causa das loucuras de seu marido. Ela chora a dor da perda dos filhos. Ela poderia
dar cabo a sua própria vida desistindo de tudo. Poderia entrar definitivamente
num processo profundo de depressão. Só que não é isso que acontece, ela foi perseverante
e não desistiu de fazer algo pelos seus filhos mesmo depois de mortos. Ela
queria dar o mínimo de respeito a eles. Por amor e pela necessidade de fazer o
que era certo, ela suportou cinco meses e meio de tocaia, com mau tempo, frio,
fadiga e animais selvagens, a fim de proteger os corpos dos filhos mortos,
sendo que não havia mais oportunidade nenhuma para eles.
O
exemplo dessa mulher chama nossa atenção de maneira séria, porque há mães que
não dão a mínima para os filhos vivos. E ainda elas têm coragem de abandoná-los
numa lata de lixo. Há mães que não amam, não lutam e não honram seus filhos.
Aqui está um modelo de mãe que honra seus filhos até na morte.
Interessante que não vemos essa atitude de
Rispa em alguns pais para com filhos vivos. Filhos que precisam de recuperação,
precisam de um toque de Deus na vida. Filhos que estão confusos na vida.
Rispa é um exemplo de respeito, atenção e
consideração pelos filhos. Mesmo no meio da tristeza ela a enfrenta e zela pelos
filhos mesmo mortos. Que lição! Que modelo para nós cuidarmos dos nossos filhos
que estão ao nosso redor.
Dicas para o coração:
ü
Cuidemos da
nossa família com respeito e amor;
ü
Não importa o
que temos de passar, lutemos pela família;
ü
Oremos,
abracemos e amemos nossos filhos diante do Senhor.
Pr. Alcindo Almeida

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