Débora, uma mulher que amava a Deus - Juízes 4 e 5

Débora (abelha do mel) era mulher de Lapidote e foi uma mulher que amava a Deus, obedecia a sua Palavra e seguia as orientações do Senhor. Débora foi chamada pelo Senhor para ser juíza em Israel. O texto diz nos diz: E os filhos de Israel subiam a ela a juízo (Juízes 4.5). Toda a nação a reconhecia como líder e, enquanto julgava os problemas espirituais e materiais do povo, ela também os instruía nos caminhos do Eterno Deus. Ela fazia isso porque amava ao Senhor de todo o coração. Além disso, também Débora era profetisa e porta-voz dos ensinos espirituais para o povo de Israel.
Vejamos alguns ensinos sobre a vida de Débora:
 
1. A visão dela era moldada pelo relacionamento com Deus:
 
Embora as mulheres do mundo antigo geralmente não se tornassem líderes políticos, Débora foi justamente a líder de que Israel precisava – uma profetisa que ouvia a Deus e que cria nele, cuja coragem estimulava o povo, capacitando-o a libertar-se da opressão estrangeira.
O povo de Israel caiu em desespero por causa da idolatria, esquecendo-se das promessas de Deus e da fé que seus ancestrais possuíam. Débora é um instrumento de Deus para reestruturar a visão povo diante de Deus.
Jericó, porta de entrada para Canaã, jazia em ruínas havia duzentos anos. A partir dela, os israelitas varreram o país como uma tempestade de gafanhotos, devorando tudo em seu caminho. Os povos nativos, porém, conseguiram sobreviver e, como ervas daninhas bem arraigadas, sua idolatria começou a difundir-se até estrangular a fé israelita. Raabe e Josué eram, agora, apenas pálidas memórias, e os escravos transformados em heróis voltaram à situação de vítimas, oprimidos durante vinte anos por uma coalizão de governantes cananeus, cujo principal guerreiro era Sísera. Seus novecentos carros de ferro aterrorizavam o povo israelita mal armado, ameaçando varrê-los com força invencível. Não é de admirar que ninguém os desafiasse.
Sísera deve ter se sentido arrogantemente seguro, em particular pelo fato de Israel ser, então, liderado por uma mulher. Mas seus cálculos militares deixaram de levar em conta uma variável importante: o poder estratégico da fé possuída por aquela mulher. Débora era uma profetisa que julgava o povo debaixo de uma palmeira, vários quilômetros a noroeste de Jericó. Embora grande parte de Israel estivesse dividida e abatida, ela não se deixou abater pelo desânimo.
Ela é uma pessoa que tem relacionamento com Deus e por isso, não se esquece da fidelidade de Deus. Ela chama o povo através de Baraque, um judeu do norte. Como todos os outros homens de Israel, Baraque estava com medo de Sísera e recusou-se a obedecer, exceto com uma condição: Débora devia acompanhá-lo. Ela seria o seu talismã no dia da batalha. Ela respondeu: Certamente, irei contigo, mas não será tua a honra da investida que empreende; pois às mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sísera (Juízes 4.4-6,9).
Deus ouviu o clamor de seu povo e enviou um libertador – dessa vez uma mulher, cuja fé silenciou as vozes de dúvida e timidez, de modo que o povo pudesse ouvir a voz que importava. Em seu dia de vitória, Débora e Baraque cantaram este cântico: Desde que os chefes se opuseram a frente de Israel, e o povo se ofereceu voluntariamente, bendizei ao Senhor. Ouvi, reis, daí ouvidos, príncipes: eu, eu mesma cantarei ao Senhor; salmodiarei ao Senhor, Deus de Israel. Ficaram desertas as aldeias em Israel, repousaram, até que eu, Débora, me levantei, levantei-me por mãe em Israel (Jz. 5.2-3).
Que extraordinário! Deus levanta uma mulher cuja fé firme fez nascer a esperança, a liberdade e a paz, que durou 40 anos para uma nação. Nunca mais os cananeus uniriam forças contra Israel e para isso, Deus usou o coração sensível dessa mulher chamada Débora. Interessante que Débora se levantou e chamou o povo a batalha, tirando-o da idolatria e restaurando sua dignidade como povo escolhido de Deus. Vocês já pararam para pensar sobre isso? Deus usa a vida de uma mulher como serva, sensível, corajosa e temente para realizar uma mudança na estrutura emocional e espiritual do povo.
Da mesma forma hoje, Deus quer usar mulheres como instrumentos da graça. Mulheres que têm a Escritura na mente e no coração. Mulheres que são modelos para homens e pessoas na comunidade. Mulheres como Eunice que influenciou a vida do jovem Timóteo. Mulheres como Mônica, a mãe de Agostinho que desde muito cedo dedicou sua vida a ajudar os pobres, que visitava com frequência, levando o conforto por meio da Palavra de Deus. Teve uma vida muito difícil. O marido era um jovem pagão muito rude, de nome Patrício, que a maltratava. Mônica suportou tudo em silêncio e mansidão. Encontrava o consolo nas orações que elevava a Cristo pela conversão do esposo. E Deus recompensou sua dedicação, pois, ela pôde assistir ao batismo do marido, que foi convertido sinceramente um ano antes de morrer.  
Já com um dos seus filhos, Agostinho ela teve mais uma grande preocupação, motivo de amarguras e muitas lágrimas. Mesmo dando bons conselhos e educando o filho nos princípios da religião cristã, a vivacidade, inconstância e o espírito de insubordinação de Agostinho fizeram que a sábia mãe adiasse o seu batismo. E teria acontecido, porque Agostinho, aos dezesseis anos, saindo de casa para continuar os estudos, tomou o caminho dos vícios. O coração de Mônica sofria muito com as notícias dos desmandos do filho e por isso redobrava as orações. Certa vez, ela foi pedir os conselhos do bispo, que a consolou dizendo: Continue a orar, pois, é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas.
Mônica, desejando a todo custo ver a recuperação do filho, viajou também para Milão, onde, aos poucos, terminou seu sofrimento. Isso porque Agostinho, no início por curiosidade e retórica, depois por interesse espiritual, tinha se tornado frequentador dos envolventes sermões de santo Ambrósio. Foi assim que Agostinho foi convertido e recebeu o batismo, junto com seu filho Adeodato. Assim, Mônica colhia os frutos de suas orações e de suas lágrimas.

2. Débora foi uma mulher de liderança séria e comprometida:
 
Embora mulheres como líderes fossem raras na sociedade israelita, não deixaram de existir. No período dos juízes, quando Israel se achava enfraquecido espiritualmente, em desordem civil e oprimido por seus inimigos. Essa moça Débora enfrentou o desafio na vida. Seu papel de liderança se desenvolveu aos poucos, à medida que sua sabedoria para fazer julgamentos veio a se tornar conhecida. Quando Deus falou a Débora, ela respondeu imediatamente, chamando Baraque para guiar o povo na batalha contra o opressor de 20 anos. A relutância de Baraque em partir sem Débora revelou claramente a falta de uma liderança masculina forte em Israel.
Débora foi a única mulher a manter a posição de juíza em Israel, mas não era a única profetisa. Várias outras são mencionadas: Miriã (Êxodo 15.20), Hulda (II Reis 22.14), Noadia (Neemias 6.14), Ana (Lc 2.36). As Escrituras descrevem Débora como Débora, profetisa, mulher de Lapidote. É curioso que quando Débora descreveu a si mesma, não usou termos como profetisa, mulher, juíza, general, líder ou qualquer outro denotando influência ou poder, mas descreveu-se como mãe em Israel (Juízes 5.7). Sua posição era a de mãe não só para seus filhos biológicos, mas também para todos os filhos de Israel. Embora, eles tivessem esquecido não só quem eram, mas também a quem serviam, sua mãe, Débora, lembrou-os e guiou-os numa vitoriosa caminhada para a paz.
Você talvez, não esteja numa posição influente de autoridade. Mesmo assim, pode ser mãe ao orientar seus filhos e crianças de sua vizinhança na direção certa. Você, talvez, tenha pouco poder de influencia no seu trabalho e no cargo que ocupa, mas pode ser mãe para os que a rodeiam e inspirá-los a seguir o caminho da justiça. Talvez haja poucas oportunidades de assumir posições significativas de liderança, mas pode continuar a ser mãe em sua esfera de atuação, seja grande ou pequena, exercendo influência muito maior que a posição humilde em que talvez se encontre.
Você pode ser, como Débora, usada por Deus para, na sua esfera de atuação, ser líder para conduzir as pessoas ao caminho da vitória. Seja sensível para detectar sua missão como líder no seu lar, na sua casa, com aqueles que você tem relacionamento. Não perca as oportunidades em nenhum momento. Você pode ser um instrumento precioso de liderança nas mãos do Eterno Deus.
Veja a influência de Débora como fonte de encorajamento para as mulheres de todos os tempos. A confiança de Débora em Deus é encontrada no relacionamento com Ele. Sua coragem só foi possível de alcançar porque ela colocou sua confiança em Deus e em suas promessas. Sua força interior e liderança serena foram resultado das características da confiança em Deus e não nela mesma. Que sejamos imitadores de Débora na sensibilidade e na liderança como serva de Deus na condução do povo de Deus.
 
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Alcindo Almeida - algumas partes são do livro: Elas - 52 Mulheres que marcaram a historia do povo.

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