Tamar: a mulher da história divina

(Texto: Gênesis 38)
Lendo a história dessa mulher vemos que seu nome significa tamareira ou palmeira. Essa moça sacrificou sua reputação e quase perdeu a vida para alcançar seus objetivos. O texto bíblico mostra que ela se casou com o primogênito de Judá, mas sendo ele perverso o Senhor lhe tirou a vida e por direito da época, ela se casou com Onã, o segundo filho. Só que houve um problema porque esse moço não quis dar descendência ao nome de seu irmão, e isto era mau perante o Senhor. Este também, o Senhor fez morrer.  Talvez deva ter passado na cabeça de Tamar, que ela não teria descendência alguma, já que o único cunhado que restava era ainda uma criança.
Quando olhamos para Judá percebemos que ele virou referência messiânica na genealogia histórica da salvação. Lendo a genealogia do Evangelho de Mateus nós percebemos que é de Judá que virá o rei Davi, e é de Davi que procede Jesus, o Cristo. Além disso, todo o resto da história de Israel, depois de Judá ganhou vitalidade de um ramo novo e forte.
 
No meio das estranhezas e nossa atitude, Deus realiza sua obra:


Olhando para Tamar e Judá, percebemos o modo como Deus usa Tamar, e é sério demais. Ela é vista como uma mulher envergonhada por não ter filhos e por não ter bons casamentos, mas que estava decidida a vencer, a fim de assegurar que a tribo de Judá não só sobrevivesse, como também viesse um dia a gerar o Messias do mundo, já que seu sogro mostrará pouco interesse pela continuação de sua linhagem.
Para esse processo acontecer Tamar tem um comportamento no mínimo ousado e estranho no texto. E o incrível é que não resultou em ruínas, mas no comprimento de sua esperança em ter filhos.
A Bíblia não nos diz algo sobre a mão de Deus, nos acontecimentos da vida de Tamar, é provável que ela ignorasse o poder de Deus. O fato é que Deus trabalhou produzindo o bem em meio à tragédia e abençoando tanto a vida de Judá como de Tamar. Embora, saibamos que o processo tenha sido bem esquisito aos olhos humanos, há uma a beleza profunda na história. Vemos claramente o poder de Deus em produzir graça no meio dos erros, mazelas, pecaminosidade e atitudes que mostram a fragilidade humana. Mesmo no meio das situações negativas e também pecaminosas, o Eterno Deus atuou na história de Judá e dessa mulher chamada Tamar.
Claro que nós aprendemos em como não cometer esses erros e falhas. Nós amadurecemos vendo que a rebeldia, a mentira e atitudes impróprias não nos conduzem para a vida de Deus. Aprendemos para não errar como o próprio Judá que se vende aos seus próprios desejos, e sem perceber nada pensando que está se relacionando com uma prostituta, engravida a própria nora do filho. Aprendemos para não errar como Tamar, que num propósito de ser mãe usou de algo falso se fazendo de prostituta para persuadir seu sogro.
Não sabemos explicar, mas pela graça divina, Deus abençoou tanto Judá como Tamar. Ele teve descendência e ela idem. Toda a trama de Tamar em se fazer de prostituta e pegar o penhor de Judá trouxe como resultado duas nações a de Perez e de Zera. Deus cumpre suas promessas fazendo com que Jesus seja filho de Judá e Tamar.
Vemos na vida dessa mulher que apesar de ter se casado com dois homens completamente perversos, Deus deu graça sobre sua vida fazendo mãe de duas nações. O desejo de Tamar era ter um filho, pois a falta dele em seu contexto acarretava sérias implicações sociais. Vale salientar que naquela sociedade tão patriarcal que vitimava a mulher, Tamar corajosamente lutou para escrever uma nova história. É verdade que ela preparou sua caminhada através de caminhos não muito justos. Ela se disfarçou de prostituta, engravidando do seu sogro. Claro que fez isso com esperteza, porque lá na frente Judá teve que reconhecer que Tamar era mais justa que ele (versículos 15-26). Seus dois filhos vieram pela graça e vale lembrar o significado dos nomes deles:
Perez: significa irromper. Zera: significa amanhecer, brilhar.

Não podemos deixar de citar que da descendência de Perez viria o rei Davi e, finalmente, centenas de anos mais tarde, Jesus de Nazaré. Judá mostrara pouco interesse pela continuação da sua linhagem. Tamar alcança graça sem merecer, sua história mostra o quanto Deus faz em favor de gente que não merece. Deus usou uma mulher, envergonhada por não ter filhos e decidida a tê-los, a fim de assegurar que a tribo de Judá não só sobrevivesse, como também viesse um dia a gerar o Messias.
Princípios que levamos para a vida:
 
1. A história de Tamar é para mostrar o quanto Deus olha para nossa vida;
2. Deus age no meio das eternas surpresas da vida em favor do seu povo.
3. Deus usa os desajustados, os desesperados e os profanos para cumprimento dos seus eternos e santos propósitos.
4. Por meio da fragilidade humana e limitação, Deus traz redenção através de Jesus Cristo, Por meio de Judá e Tamar, vem Perez, dele vem Davi e o Messias prometido.
5. Em Gênesis 38 vemos o poder de Deus para produzir coisas positivas a partir de situações negativas e pecaminosas.
 
Termino olhando para Judá como um instrumento da graça mesmo falho citando o texto de Romanos 8.28: Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
Que a graça do Eterno Deus seja sobre nós!
 
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Alcindo Almeida

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