Zelando pela vida humana

- Texto para reflexão: Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo (Gênesis 2.15).
Algum tempo atrás fui extremamente impactado pela história de um jovem chamado Adam, contada por Henri Nouwen em seu livro Adam, o Amado de Deus. Nesse livro Nouwen conta como deixou sua posição de professor em uma das maiores universidades dos EUA para dedicar-se integralmente à obra de tomar conta de pessoas com deficiências em Toronto, no Canadá.
Dentre todas as pessoas de quem cuidou estava Adam, um jovem que devido a um complicado quadro de epilepsia, permanecia num estado quase catatônico, sendo que exigia um cuidado extremo por parte dos que tomavam conta dele, pois, nem mesmo suas atividades básicas ele poderia fazer sozinho. Adam não falava uma palavra sequer, nem conseguia se expressar muito bem, pois, não coordenava seus movimentos. Era necessário que Nouwen gastasse cerca de três horas diárias para prepará-lo com banho, troca de roupa e alimentação para que Adam pudesse ir para as aulas de fisioterapia, natação e etc.
Esse é o tipo de quadro que nos leva a pensar no texto de Genesis 2.15, quando Deus colocou o homem no Jardim do Éden e ele desfrutou de prazeres que nunca a criação poderia imaginar. Deus o colocou num espaço para ele se dedicar em cuidar e guardar aquilo que Deus havia criado. E um cuidado precioso é com a vida humana. O cuidado do jardim de Deus passa pelo respeito pela vida humana. E na semana passada vimos algo que nos deixou sem chão em relação ao pouco caso que o ser humano tem dado a própria vida. Foi uma tristeza essa morte do moço com 19 anos por causa de um celular. O jovem Victor Hugo Deppman cursava Rádio e TV na Faculdade Cásper Líbero e estagiava na Rede TV! Foi constatado que o assassino é um dependente químico que completou 18 anos.
Onde pararemos com tanta violência para com a vida humana? A grande verdade é Como nós desfiguramos a imagem do Criador quando passamos por cima dos outros. Quando humilhamos nosso próximo, quando o ofendemos com palavras, gestos e ações e o pior tiramos a vida dele.
Quando olhamos para Adam que nem falava e nem andava e leio o cuidado que Nouwen tinha com ele, percebemos que isso é cuidado do jardim de Deus na criação. Essa é a uma lição do amor de Deus em nossa vida quando olhamos para o outro com graça.
Vejamos algumas dicas para aprendermos mais sobre cuidar e zelar do jardim de Deus com amor e graça:
Cuidemos do nosso próximo com atenção e respeito:
Temos uma responsabilidade séria para com a criação que é cumprir um aspecto que na teologia chamamos de mandato social. Este mandato foi dado por Deus para a humanidade refleti-lo. Este mandato provê a base divinamente ordenada para o casamento, para a família, para as nações e todas as comunidades em todo o mundo.
O mandato social diz respeito ao amor para com o próximo. No livro de Dt. 22.1-4 aprendemos que o amor fraternal deve ser demonstrado com respeito e honestidade para com o próximo. Deve ser demonstrado com desprendimento. Cuidado e preservação tem a ver com o respeito pelo próximo.  Voltando ao Adam, o cuidado que Nouwen tinha para com ele era algo tão marcante que todas as pessoas que tinham contato com Adam sentiam esse amor de maneira profunda e pessoal.
Aprendamos a cuidar das pessoas no coração. Aprendamos a ser atenciosos com elas. Aprendamos a dar um lugar melhor para o próximo. Aprendamos a amar com respeito e atenção.
Cuidemos do nosso próximo do jeito que Deus cuida de nós:
Quando li o livro vi o quanto Henri Nouwen aprendeu com Deus o significado da compaixão. Ele experimentou a própria compaixão de Deus na sua vida que ele aprendeu a ser compassivo com Adam. Como necessitamos de compaixão para olhar nosso próximo com graça. Assim o perdoamos mais, o amamos mais. Assim aprendemos a ver suas necessidades e limites. Vale a pena considerar o texto de Col. 3.12-25: Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.
Compaixão é a virtude que nos permite entrar e participar da dor e da necessidade dos outros. É também a capacidade de preservar nossa humanidade – quando entramos e participamos da vida do outro, com suas limitações, lutas e sofrimentos, percebemos que não somos diferentes.
Penso que vivemos um tempo de muita violência porque há uma competição que quer anular a compaixão, aumentando o abismo entre os seres humanos. E isso nos afasta do outro e não temos espaço para benignidade, humildade, mansidão, longanimidade. Assim, precisamos pedir que Deus nos dê compaixão e graça assim como recebemos dele, para que tratemos nosso próximo da mesma forma que somos tratados pelo Eterno Deus. Termino citando o texto de Ricardo Barbosa de Souza sobre Os caminhos da compaixão:
“Fomos criados e salvos para amar e nos doar, e o chamado para a compaixão é a forma como o amor e a doação são encarnados. A compaixão é uma expressão forte, pessoal, evangélica. Requer envolvimento, participação, solidariedade”.
Que a graça do Eterno Deus seja sobre todos nós!
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Pr. Alcindo Almeida – Igreja Presbiteriana de Alphaville - São Paulo.

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