Honra reflete-se em honestidade

- Texto para reflexão: A honestidade do justo é o seu melhor seguro (Provérbios 11.6).

Nessa semana eu fui surpreendido com o tema da Revista Veja SP Traição à paulistana - Os lugares onde a infidelidade ocorre com mais frequência, as novas armas para flagrar os amantes e as aflições sobre o assunto nos divãs da cidade.
Há uma febre na sociedade hoje no campo da traição e a reportagem diz que alguns artistas relatam divertidas histórias de traição.  A segunda-feira é o dia predileto dos amantes, que costumam se encontrar no horário comercial. As pessoas comprometidas ficam com a família no sábado e no domingo e recomeçam a semana com saudade da outra ou, dependendo do caso, do outro, diz Eduardo Borges, diretor-geral da Ashley Madison. Nos divãs de São Paulo, boa parte dos segredos dos pacientes a respeito de seus desejos e práticas sexuais demora várias sessões para ser revelada. O adultério, porém, passa longe dessa lista. Em geral me contam logo quando levam vida dupla, relata a psicóloga Maly Delitti [1]. Um levantamento de uma revista da Editora Abril realizado em 2011, mostrou que 64% das entrevistadas assumiram ter enganado seus parceiros, contra 73% dos homens.
Olhando para essa realidade na nossa sociedade lembrei do filme com o brilhante ator Russel Crowe: Gladiador. Eu prestei muito a atenção na frase marcante que mexe conosco: O que você faz nesta vida ecoa na eternidade. Claro que essa frase no filme tem a ver com a honra e para o leal oficial do imperador Marco Aurélio (Ano 180 D.C.), o general Máximus Décimus Meridius, a honra tinha a ver com as ações de um soldado que defendia os interesses de Roma e o oposto da honra era a desonra ou opróbrio.
Olhando para as palavras honra e honestidade precisamos avaliar os significados da maneira mais profunda possível.

Honra significa: princípio de conduta pessoal baseado na ética, honestidade, coragem, dignidade e honradez.
Honestidade significa: uma qualidade de ser verdadeiro; não mentir, não fraudar, não enganar. É uma qualidade da honra da pessoa. Significa falar a verdade, não omitir, não dissimular.
 
É profundo analisarmos as duas palavras para a vida. Uma pessoa que tem honra é honesta e uma pessoa honesta é revestida naturalmente de honra. A palavra honra vem do latim honos, que tem sentido de reputação e dignidade. Um homem cheio de honra como ser humano é alguém revestido de uma reputação digna e naturalmente desemboca em ações honestas. Na verdade, quando falamos em honra percebemos claramente que a honestidade é um item que faz parte marcante da essência dele.
Essas duas palavras têm fugido um pouco do contexto da vida relacional e afetiva, sejamos bem francos quando a essa realidade. Os escândalos não são mais raros na sociedade e isso tem chegado no meio protestante. Temos inúmeros casos envolvendo líderes religiosos e lembro-me de um livro bem conhecido de Richard Foster: Dinheiro, sexo e poder. Foster mostra que desde as primeiras civilizações, estes três fatores estiveram envolvidos em quase todos os movimentos sociais, políticos e econômicos. Eles motivaram o início, a ascensão, o auge, o declínio e a derrocada de homens e mulheres, famílias e etnias, nações e ideologias inteiras.
Richard Foster argumenta que as questões do dinheiro, sexo e poder nos atiram para dentro da arena da escolha moral. O dinheiro se manifesta como poder, o sexo é usado para adquirir tanto dinheiro quanto poder. E o poder é geralmente chamado o melhor afrodisíaco[2]. Essas áreas têm levado muitos a um descrédito enorme em nossa sociedade brasileira. Vire e mexe ouvimos que fulano saiu com sua secretária e teve uma aventura rompendo com sua família e filhos. Assim a família fica ferida e machucada com esses fatos que mancham a honra e honestidade. O que fazer para que sejamos homens e mulheres comprometidos com a honra que se reflete em honestidade?

ü  Abracemos na vida as palavras fidelidade e obediência:

Para os puritanos do Século 18 a fidelidade foi uma resposta para a questão do sexo. Dizem que eles eram pessoas que sabiam rir e amar. Eles buscavam na palavra fidelidade um modo de terem um casamento e vida em família de maneira séria e fiel. Outro grupo na história é dos monásticos, para eles, obediência tinha a ver com a forma de confessar a vida de maneira coletiva. Eles tinham de prestar contas e eram responsáveis uns pelos outros. Pela obediência procuravam se submeter ao governo de Deus exercido através dos outros.
Talvez se déssemos contas hoje aos amigos e se tivéssemos mais amigos responsáveis por nós em termos de cuidado com dinheiro, sexo e poder não teríamos tantos escândalos, tantas quedas e tanta desconfiança nos relacionamentos hoje. Nós só inspiramos honra e honestidade quando o nosso caráter não deixa a desejar, quando a nossa forma de viver reflete honestidade, respeito, integridade, justiça.
Precisamos observar as palavras de Salomão em Prov. 10.2: Dinheiro de ganhos desonestos não leva a nada, mas a vida honesta livra da morte certa. A Bíblia mostra alguém assim que mexe demais com nosso coração: José de Deus. O José de Deus vai parar na casa de Potifar e enfrenta o primeiro teste nos relacionamentos com pessoas de fora do habitat normal dele. A mulher de seu senhor tenta-o repetidamente. Ela tenta seduzi-lo e José resistiu às suas investidas por causa de seu caráter bem desenvolvido. O relacionamento que o jovem tem com essa moça é o de fidelidade a Deus.
José teme a quem ele serve e ele tem submissão ao seu patrão. Ele é escravo e não pode fazer nada com a casa de Potifar que dirá com a esposa dele. O relacionamento que José tem com essa mulher é o de ensiná-la quanto à retidão, honestidade, transparência e justiça. É o de mostrar a ela que ele não se dobra aos prazeres carnais ferindo os princípios de santidade que ele aprendeu com seus pais.
Precisamos olhar para José como modelo para o coração, ele observou e guardou no coração o que aprendeu dos seus pais. Ele foi para um lugar sem referenciais espirituais e lá ele permaneceu intacto na retidão, na honra, na fidelidade e no caráter. Deus quer que sejamos fiéis, retos e honestos como José em todos os tipos de relacionamentos que construímos. Esse jovem é alguém que poderia ter azedado na vida. Poderia ter cometido suicídio. Poderia ter se rebelado contra Deus. Mas não, resistiu os ataques lançados contra ele pelos que o odiavam. Enquanto seus inimigos atacavam com flechas de ódio. José devolvia o ataque tendo um relacionamento com as pessoas através das virtudes da graça de Deus: sabedoria, prudência, integridade, fidelidade, fé, esperança, pureza, honra, honestidade e firmeza.
Os atos desse homem de Deus ecoam por toda a eternidade e hoje da mesma forma, Deus quer nos fazer pessoas como José que têm honra refletindo honestidade em todas as facetas da vida.
Que o Eterno Deus nos dê graça de sermos assim!

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Alcindo Almeida é membro da equipe pastoral da Igreja Presbiteriana da Alphaville em São Paulo. 
[1] http://vejasp.abril.com.br/materia/traicao-a-paulistana, 2013.
[2] FOSTER, Richard. Dinheiro, sexo e poder. São Paulo: Mundo Cristão, 2005, p. 18.

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