A ideia da redenção

A ideia da redenção é como um facho de luz branca, aparentemente muito simples. Todavia, é, na verdade, complexo e composto de muitos elementos, em que cada um deles precisa ser identificado e respeitado por si só. É um diamante espiritual com muitas facetas, e cada uma delas precisa ser vista, valorizada e apreciada. Nossa vida pode ficar mais fácil se definirmos a redenção de forma estrita. Contudo, isto representaria limitar as cores do arco-íris a apenas a cor verde. Como podemos fazer isso quando há tanto que precisa ser dito?
Uma das tarefas centrais da teologia é a de desvelar os tesouros do evangelho cristão para que sejam examinados e avaliados individualmente. A teologia é como o prisma de Isaac Newton, separando os componentes do evangelho a fim de nos ajudar a identificá-los, compreendê-los e apreciá-los. Então, o que acontece se tentamos analisar o conceito de redenção dessa forma? Deparamo-nos, como era de esperar, com um rico espectro de significados e associações, que individualmente lançam luz em um aspecto específico do evangelho cristão.
Nossa apreciação do todo depende de sermos capazes de identificar e apreciar suas partes individuais. Talvez, o sentido mais básico do conceito de “redenção” seja o de “comprar de volta” — como acontecia na prática de redimir escravos, um evento familiar na época do Novo Testamento. Naquele período, os indivíduos vendiam-se como escravos, algumas vezes por períodos fixados de tempo, a fim de levantar fundos extremamente necessários para sua família.
Um escravo podia redimir a si mesmo ao comprar sua liberdade. A palavra grega usada para descrever esse processo poderia ser literalmente traduzida por “ser tirado do fórum” [ou seja, o mercado de escravos]. A ideia fundamental aqui é a de restaurar alguém ao estado de liberdade, em que a ênfase é posta na libertação, em vez de nos meios utilizados para obtê-la.
O Novo Testamento, algumas vezes, usa termos para se referir à libertação da escravidão — por exemplo, “resgatou da maldição da lei” (Gl 3.13; 4.5). Entretanto, esses termos são usados com mais frequência de uma forma mais geral — simplesmente libertar (Ap 5.9; 14.3,4). A morte e ressurreição de Cristo são compreendidas como os fatos que nos libertaram da escravidão do pecado e da morte. A ênfase repetida de Paulo de que os cristãos são escravos que foram “comprados por preço” (1Co 6.20; 7.23) lembra-nos do alto preço dessa redenção.

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Alister McGrath. Redenção, pp. 14 e 15.

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