Cultivando o caráter, a afetividade e o conteúdo - (João 1.1)

Lendo os pensamentos e ideias do filósofo Sócrates sobre a essência da comunicação, ele resume em três conceitos fascinantes o que ele denominou ethos, pathos e logos. O primeiro, ethos, diz respeito ao caráter. Pathos compreende a parte da afetividade, e logos, o do conteúdo.
Ethos, segundo Sócrates, diz respeito à credibilidade do mestre, sua credencial. Ele afirmava que o nosso jeito de ser é mais importante do que o que dizemos ou fazemos já que determina o que dizemos ou fazemos. Aquilo que somos como pessoa é o fator que mais pesa em nossa atuação como orador comunicador e conselheiro. Temos que ter atrativos para aqueles a quem ensinamos. É preciso que as pessoas confiem em nós e quanto mais confiarem, melhor conseguiremos comunicar-lhes o que desejamos dizer-lhes.
O outro aspecto, pathos, diz respeito ao modo como o mestre desperta as emoções e sentimentos de seus alunos. O filósofo sabia que são as emoções que determinam o rumo de nossos atos. E isso é a chave para a motivação, já que Deus nos criou com emoções, sentimentos.
Sócrates estava convencido também de que os mestres, professores e oradores precisavam do conteúdo programático, e, por isso, denominou-o logos. Curiosamente este é o mesmo termo grego que aparece no capítulo 1 do Evangelho de João (Bíblia) para designar Jesus: No princípio era o logos, o Verbo. E o logos se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, como do unigênito do Pai! Desejando comunicar-se conosco, Deus personificou a sua mensagem. É exatamente isso que temos de fazer. Então o conceito do logos diz respeito à apresentação de nossa argumentação. Ele envolve a mente no processo e assim opera a compreensão do fato. Constitui a base lógica das ações que desejamos ver as pessoas praticando, para que descubram por si que essas ações são corretas e sensatas.
Olhando para o nosso envolvimento com o conteúdo da nossa vida que é Jesus Cristo de Nazaré, percebemos que ensinar as pessoas temos que atentar para o caráter, afetividade e o conteúdo. Porque o nosso caráter gera confiança no coração das pessoas. Quando as pessooas percebem a qualidade da nossa vida no caráter, elas reconhecem que temos algo a oferecer-lhes. Elas sentem verdadeiramente que podem confiar em nós.
Uma pergunta que vai no meu coração hoje é sobre a nossa própria falta de credibilidade, item que deveria ser o maior atributo para a nossa comunicação. Vemos os chamados shows da fé que falam de dinheiro, de curas e de milagres diversos, mas não têm credibilidade. Porque arrancam o dinheiro das pessoas e as usam para um conviívio do poder.
O logos divino – Jesus Cristo de Nazaré é o nosso foco para que com ele, dentro de nós, mostremos para a sociedade brasileira o nosso caráter, a afetividade e o conteúdo bíblico. Como isso acontece? Acontece através de uma vida que fala o que vive, que prega o que vive e que sente o que é real e sincero no Evangelho de Cristo.
Não somos os poderosos evangélicos que anunciam uma mensagem de poder. Somos os homens e mulheres que pregam o logos verdadeiro através de uma vida simples, de caráter e afetividade de coração.
Pense sobre como você está vivendo. As pessoas olham para o seu caráter e percebem que você é honesto e sincero? A sua afetividade envolve as pessoas com graça? E o seu conteúdo é de fato Jesus Cristo de Nazaré?
Dependendo da sua resposta você saberá qual é o centro do seu coração em termos de Reino de Deus!
Que a graça do Eterno seja sobre nós sempre!

__________
Alcindo Almeida – membro da equipe pastoral da IP Alphaville.

Comentários

Postagens mais visitadas