Lutando com o impostor dentro de nós

Paulo diz em Romanos 7.17-25: Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado.

A história não termina ainda, Paulo fala de algo que vive dentro de nós, o impostor feroz. Ele diz: Mas o pecado que habita em mim.

É o que livro Os cinco pontos do Calvinismo chama de doutrina da depravação total ou inabilidade total. Quando o calvinista fala do homem como sendo totalmente depravado, quer dizer que sua natureza é corrupta, perversa e totalmente pecaminosa.
O adjetivo “total” não significa que cada pecador está tão completamente corrompido em suas ações e pensamentos quanto lhe seja possível ser. O termo é usado para indicar que todo o ser do homem foi afetado pelo pecado. A corrupção estende-se a todas as partes do homem, corpo e alma.
Algo que precisamos entender é que o pecado afetou a totalidade das faculdades humanas - sua mente, sua vontade, etc (Ler a Confissão de Fé, VI, p. 2). Também se pode usar o adjetivo “total” para incluir nele toda a raça humana, sem exceção. Como resultado dessa corrupção inata, o homem natural é totalmente incapaz de fazer qualquer coisa espiritualmente boa. É o que se quer dizer por “inabilidade total”.
Paulo diz nos versículos 19 e 20: Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim.
Há três aspectos importantes que precisamos considerar na vida espiritual:
 Na justificação fomos libertos da pena do pecado;
 Na santificação somos trabalhados e libertos do poder do pecado;
 Mas, somente na glorificação não teremos mais a presença do pecado em nós.
Sempre há essa luta, sempre há essa batalha dentro de nós mesmos por causa do impostor. Por isso, acontece essa coisa estranha, o bem que desejamos fazer, esse nós não praticamos. E o mal que não queremos e detestamos, é o que preferimos, é o que nós desejamos lá dentro.
O que é isso dentro de nós?
É a famosa frase de Ovídio: “Eu vejo as coisas melhores e as aprovo; mas sigo as piores”.
Infelizmente não somos o que sabemos, nós somos aquilo que fazemos. Apesar de termos Cristo dentro de nós, ainda o pecado reside em nós. Somos pecaminosos, somos herdeiros dessa mancha terrível que abalou toda a criação. Então como diz C. J. Mahaney os nossos desejos orgulhosos estão todos expostos e o nosso orgulho é uma fonte de pecado mesmo, é quando desejamos prestigio e a posição de Deus. A recusa de reconhecer a dependência dele.
Quando Paulo diz no versículo 24: Miserável homem que eu sou. Ele quer evidenciar que este falso eu é o depravado que está dentro de nós. E quando estamos sozinhos demonstramos com mais verdade o que realmente somos por dentro. Somos seres totalmente depravados. E só um homem desta sensibilidade é que poderia ter coragem para expressar este homem pecaminoso por dentro.

“O reconhecimento dessa guerra em seu íntimo e o fato de que se tornou cativo ao pecado levam o crente a exclamar: “Miserável homem que sou!” Esse é um clamor produzido por uma profunda compreensão da habitação do pecado. É a confissão de alguém que reconhece não haver bem algum em seu homem natural. É o lamento melancólico de alguém que descobriu algo a respeito da horrível profundeza de iniqüidade que existe em seu próprio coração. É o gemido de uma pessoa iluminada por Deus, uma pessoa que abomina a si mesma – ou seja, o homem natural – e anela por libertação” .

Aprendemos nas Sagradas Escrituras que há um mal que domina o homem. Temos a imputação da culpa do pecado por meio dos nossos primeiros pais. O pecado original representa a depravação e a corrupção hereditárias de nossa natureza, difundidas por todas as partes da alma. O que esta depravação faz em nós?
 Primeiro: nos torna condenáveis à ira de Deus;
 Segundo: também produz em nós aquelas obras que a Escritura chama de “obras da carne” (Gl. 5.19).

O próprio apóstolo Paulo mostra que a morte se propagou a todos, porque todos pecaram; isto é, todos estão amarrados no pecado original (Rm. 5.12). São muitas as nossas misérias, uma a uma, quão saturadas são elas. Somos cheios de concupiscências, sujeitos às paixões, repletos de ilusões. Nossa mente está propensa sempre ao mal, inclinada a todo vício, por fim, plena de ignomínia e confusão. O pecado dentro de nós como um impostor é um tirano cujas ordens da lei ele odeia e lá dentro que há essa luta. Uma luta da nossa carne contra o Espírito.
A Bíblia fala que até mesmo todos nossos próprios atos de justiça, examinados à luz da verdade, são achados como se fossem trapos imundos (Is. 64.6). Diz também que o homem se tornou semelhante à fatuidade (Salmo 144.4).
Como Max Lucado metaforicamente afirma, estamos no ônibus do prazer, das posses, do poder e da paixão. Um ônibus que se chama festa e está cheio de gente rindo e na farra . É um lugar onde há escândalo e libertinagem da carne.
A batalha dentro de nós é absolutamente violenta, é algo lá no fundo, no ego mesmo. E todos os dias nós precisamos de uma renovação santa que só o Espírito Santo pode realizar. Exatamente por isso, que Jesus disse em João que o Espírito Santo quem nos convence do pecado, da justiça e do juízo.
Como precisamos da graça da cruz para vencer o nosso ego obeso de tanta empáfia, de tanto orgulho. Precisamos lutar todos os dias para vencer a mentira, a fornicação. A hipocrisia porque louvamos a Deus e em seguida humilhamos a sua criação levantando falso testemunho.
Como precisamos da graça da cruz para vencer o pré-conceito por causa da diferença que fazemos das pessoas que nos cercam. Precisamos da graça da cruz para vencer o nosso comodismo que nos impede de fazer justiça, exercer misericórdia e graça para com aqueles que nos cercam.
A dica para nós é que devemos tomar cuidado com o pecado e os efeitos dele. Não podemos brincar com fogo na vida espiritual. A vida cristã deve ser uma fuga diária da prática do pecado, pois ela entristece aquele que habita em nós. João afirma: Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade (I João 1.8).
Deus afirma claramente que olha para os humildes. Ele também deixa claro que se opõe aos orgulhosos. A humildade e o orgulho são características que não podem coexistir. Onde uma é encorajada, a outra é derrotada.
Antes de Cristo nós estávamos vivos para o pecado e mortos para Deus. Naquele tempo específico, quando os cristãos estavam na carne, eles davam frutos para a morte. Hoje, em Cristo, os cristãos servem a Deus em novidade de espírito, e, portanto, produzem frutos para Deus. Davi entendia bem a luta interna da sua carne e, por isso, disse: Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto (Salmo 51.10).
O mesmo Deus que cria a paz é o Deus que vivifica o coração e o espírito dos abatidos (Is 57.15 e Is 57.19). O Deus que cria um novo coração é o mesmo que produz o fruto dos lábios (Is 57.19).
Não nos esqueçamos de algumas dicas profundas para o nosso coração:
 O pecado quebra nossa relação com Deus;
 Quando andamos na direção oposta, sentimo-nos longe de Deus;
 Uma vida de prática constante do pecado será tão dura que nos afastaremos da graça de Deus;
 Quando damos vazão para a carne não estamos cumprindo nosso verdadeiro papel de servos de Deus;
 Cuidado: Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte (Provérbios 16.25).
 Corramos para a graça e temor de Deus para evitarmos o pecado na vida.
Que nos ajude a entender a necessidade da graça dele para fugirmos do pecado!
 
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Alcindo Almeida - membro da equipe pastoral da IP Lapa.

Comentários

Marissol disse…
O que precisamos neste mundo é de gente pensando num só propósito "Deus!"Muito bom o seu blog , sou católica e gosto de saber sobre outras religiões mais do que isso gosto de conhecer as pessoas o que elas fazem nos planos de Deus ...se quiser dar uma olhadinha no meu blog é:

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