(IN) FIDELIDADE

- Texto para reflexão: Escolhi o caminho da fidelidade (Salmos 119.30).
 
Immanuel Kant, filósofo alemão do Séc. XVIII, fundador da filosofia crítica, disse que “Somos todos iguais perante o dever moral”. Isso nos remete a uma reflexão sobre duas equações difíceis de serem resolvidas em nossos dias, diante de uma sociedade cujas escolhas denotam incoerências imensas.
Somos todos iguais de fato?
Há alguma identificação sobre o que significa o dever moral do homem de nossos dias? E sobre que moral estamos falando? Recentemente um alto executivo do FMI (Fundo Monetário Internacional) viu-se envolvido em um suposto crime de abuso sexual cometido contra uma camareira de um hotel em Nova York.
Após muita especulação, uma exposição na mídia internacional e uma prisão pela justiça americana, e o pagamento de uma fiança milionária, o suposto criminoso foi solto após investigação sobre possível golpe tentado pela suposta vítima, na tentativa de obter benefícios financeiros.
O que nos causa perplexidade é o fato de o acusado haver confirmado o envolvimento sexual com a camareira do hotel, no entanto, alegando sempre tê-lo feito com o consentimento da mesma. Seu adultério confessado não gerou nenhum constrangimento ou questionamento. A questão era apenas o suposto crime de abuso.
Em outro principado do planeta (Mônaco), em meio à pompa que o momento real exige e expõe, um príncipe une-se à sua princesa, que não consegue esconder o seu desconforto ante tantas noticias de uma pré-infidelidade, se assim podemos chamar, cometidas pelo seu agora noivo. Mas o que isso importa a uma sociedade que minimiza atitudes de infidelidade, transformando-as quase num exercício dos direitos individuais?
C. S. Lewis escreveu: “A monstruosidade do relacionamento sexual fora do casamento está em que os que cedem ao desejo estão, com isso, tentando isolar um tipo de união (a sexual) de todos os outros tipos de união que foram pensados para acompanhá-la e completar a união total”.
Diminui-se o relacionamento entre um homem e uma mulher (quando muito) ao aspecto apenas sexual, banalizando-se qualquer outro aspecto que compõe esse relacionamento.
N.T. Wright faz uma observação que deve gerar uma reflexão profunda em nós e, quiçá, em nossa sociedade: “Sabemos que a libertinagem sexual traz imensa infelicidade para as famílias e os indivíduos, mas, como vivemos no século 21, não queremos dizer que o adultério é errado (devemos notar que há apenas duas gerações muitas comunidades tinham sobre o adultério a mesma opinião que hoje temos sobre a pedofilia – fato preocupante em ambos os lados)".
Falando sobre a sexualidade em nossos jovens de hoje, a escritora diz que as escolhas tem acontecido como “efeito da pressão de uma sociedade imbecilizada pela ordem geral de que ser moderno é liberar-se cada vez mais, sem saber que dessa forma mais nos aprisionamos” Lya Luft, em “O sexo triste dos jovens”.
Constatamos facilmente isso quando assistimos o que nos é oferecido pelos meios de comunicação de massa através das tramas vivenciados por personagens que, a priori, expõe uma conduta da sociedade, mas que, na verdade, conscientemente tentam imprimir nessa sociedade seus “valores”.
Lidando com situações de conflitos e dificuldades sofridas pelas pessoas, sejam elas homens, mulheres, jovens, adolescentes ou crianças, costumeiramente nos defrontamos com pessoas que, antes de experimentarem a dor de um conflito gerado pela infidelidade, pela traição e pela mentira, seriam capazes de contemporizar sobre a importância de observar-se esse princípio no relacionamento entre as pessoas.
Isso nos faz lembrar das postulações que tem se alvoroçado como se fossem resultado de reflexões maduras, no que diz respeito à liberação de drogas tidas “inofensivas” e de fácil controle (como maconha e outras).
Pergunte a quem teve ou tem que lidar com um filho que se perdeu na droga e que deixou em si mesmo e nos seus familiares profundas cicatrizes da dor que tiveram de suportar e superar, o quão inofensivas essas drogas são.
Recentemente foi lançado no nosso país um site “facilitador” à traição. Em apenas algumas horas após seu lançamento oficial, ele já contabilizava alguns milhares de dólares em taxas cobradas de usuários inscritos. Segundo uma executiva da empresa: “infidelidade é um bom negócio”.
Por essas e outras, não é de se estranhar que a infidelidade se apresente não só nos relacionamentos conjugais, mas que também nos atinja nos relacionamentos entre pais e filhos, no ambiente de trabalho, no convívio de amizade, o que tem transformado a vida e o viver em algo tão banal e sem valor. Alguém já disse que “O que a vida faz com você depende do que ela encontra em você”. Por isso mesmo é que, nos momentos de crise, vemos tantos se perderem e perderem o que de melhor a vida e os relacionamentos poderiam lhes proporcionar.
Isso, embora seja algo lamentável, apenas expõe o fato de que a crise não faz a pessoa; a crise apenas mostra do que a pessoa é feita. “Nós continuamos a clamar pedindo exatamente aquelas qualidades que estamos tornando impossíveis... Fazemos homens sem peito e deles esperamos virtudes e iniciativa. Rimos da honra e nos sentimos chocados quando encontramos traidores no nosso meio. Castramos e pedimos que os castrados sejam frutíferos” (C. S. Lewis em A Abolição do Homem). Paulo, o apóstolo, escrevendo sua carta aos moradores de Éfeso disse: Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo. Isso é uma escolha, uma decisão. Eu, “escolhi o caminho da fidelidade” (Sl 119.30).
Agora é com você!
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,

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Rev. Hilder C Stutz

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