Quando um vulcão explode

Mesmo que as montanhas venham a rugir em sua fúria (Salmo 46.3).

Há cerca de um ano, a erupção de um vulcão na Islândia trouxe uma série de transtornos em vários países da Europa, além de prejuízos econômicos gigantescos a empresas e pessoas que foram envolvidas por aquela situação.
“Vulcão” (cuja palavra deriva do nome do deus do fogo da mitologia romana) é uma estrutura geológica criada quando o magma, gases e partículas quentes (como cinzas) escapam para a superfície terrestre, podendo causar grave desastre natural.
Recentemente (04/06), após 50 anos sem atividade intensa, o Vulcão Puyehue, localizado no sul do Chile, entrou em erupção, forçando a retirada de pelo menos quatro mil pessoas de povoados vizinhos a ele, bem como provocando o cancelamento de muitos vôos entre Chile, Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Peru, afetando assim a malha aérea em parte da América do Sul.
As cinzas alcançaram 10 km de altura e se estenderam por centenas de quilômetros ao redor do vulcão. Cidades turísticas como Bariloche, na Argentina, ficaram cobertas de cinzas e sem energia elétrica. Cidades do sul do Brasil (como Uruguaiana, RS) foram atingidas. Até mesmo lugares distantes como Austrália, Nova Zelândia e Tasmânia sentiram os efeitos desse vulcão.
A erupção veio acompanhada de uma seqüência de tremores de terra que oscilaram entre 4,6 e 4,8 graus na escala Richter. Além da curiosidade do fato em si, mesmo porque não me recordo de situações com repercussões globais como essa erupção ou aquela do ano passado, fiquei pensando como a natureza traduz muito da nossa própria natureza humana.
Fico pensando que um vulcão, como expressão da natureza, tem muito e pode espelhar muito bem o interior de cada um de nós. Basta atentar para algumas características dessa manifestação da natureza e você vai perceber essa verdade. Senão veja:
Embora a manifestação da natureza possa acontecer repentinamente, ela sempre vai emitir alguns sinais, mesmo silenciosos, de que algo não está bem. É comum, em situações de conflitos, de estresses, de dificuldades para nós e/ou em nossos relacionamentos, percebermos ou identificarmos, mesmo a posteriori, que haviam sinais sendo exteriorizados e enviados de que algo poderia representar problemas à vista.
Acabei de perder o convívio com um precioso amigo e irmão, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Pelo laudo dos exames clínicos apresentados pelos médicos que o atenderam na emergência, seu coração dava mostras de que algo não estava bem.
Em outras circunstâncias, são muitas vezes conflitos não resolvidos ou mal resolvidos, que de repente, fazem eclodir rupturas muitas vezes difíceis de serem administradas. São sentimentos, ressentimentos, mágoas, ira, insatisfações, que não são expostos e que vão gerando uma verdadeira combustão interna. E, de repente, “apenas um simples e pequeno evento pode acordar dentro de nós um estranho totalmente desconhecido a nós”. Antoine Jean Baptiste Marie Roger Foscolombe de Saint-Exupery, foi escritor e ilustrador francês do séc. XX.
Na verdade, isso traduz apenas uma realidade incontestável: somos o que sempre fomos - apenas seres humanos. Nós é que, desapercebidamente ou conscientemente vamos nos tornando naquilo que gostaríamos que servisse para que os outros nos identificassem: um status social, uma conta bancária, um título acadêmico, uma posição profissional, etc.
Muitas vezes, essas “erupções” humanas nos pegam em um momento de relativa calma, quando é fácil esquecer a advertência sobre a falibilidade de nossos projetos humanos e de nossa vida; quando nos sentimos suficientemente relaxados e confortáveis como se fossemos imunes a essas “erupções”. E, quando elas acontecem conosco ou em outrem e que nos atingem, assemelham-se ao fenômeno da natureza – uma seqüencia de tremores e temores se fazem presentes.
É preciso, então, buscar a melhor forma de lidar com essas situações.

• É preciso buscar sabedoria para enfrentá-las.

É preciso discernimento para reagir a elas; um enfrentamento em momento inoportuno ou de forma inoportuna pode assemelhar-se e ser tão eficiente quanto jogar gelo ou água frio no centro de uma cratera vulcânica.

• É preciso prudência para estabelecer ações de convívio com o momento que se faz presente.

Parte-me o coração todas as vezes que vejo pessoas se queimando, afundando emocional e espiritualmente, por recusarem-se buscar auxílio. Desenvolvem problemas psicológicos, das neuroses mais leves às psicoses mais profundas, por não saberem como reagir nesses momentos de “erupções”.
O texto dos cantores do templo (filhos de Core) faz menção a realidades não virtuais, mas concretas de nossas vidas. Não são situações irrelevantes ou superficiais, mais reais.
E há nessa canção (Salmo 46) dois pensamentos práticos que gostaria de lhe sugerir:
O primeiro diz que no momento em que tudo isso acontecer, você pode saber:
Deus será um lugar seguro e um refúgio forte, bem presente nesses momentos de tribulações. Só Ele é capaz de dar a paz ao seu coração, cuja paz é mais do que qualquer outra paz exterior que você possa buscar.
O segundo diz que, por isso, você pode “aquietar-se e saber que Ele é Deus!”.
Só se descobre isso quando se deseja de todo coração. Só se deseja quando se busca com toda a força.
“... mesmo que as montanhas venham a rugir em sua fúria”;
“... mesmo que os montes se estremeçam”;

• Você pode chamá-Lo, pois Ele estará prontamente disponível.

Você já pensou que onde quer que vá, a qualquer hora, Ele será um socorro bem presente e uma ajuda imediata? Ele mesmo fará eclodir erupções de paz que excede as circunstancias; vida que vem da fonte de toda vida; esperança que brota contra toda esperança humana; porém, tão reais quanto a alegria que a fé produz.
Que Deus o ajude caminhar nessa descoberta e nessa verdade!
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,

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Rev. Hilder C Stutz

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