A PRÁTICA DA VONTADE

“Finalmente... tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. ” Filipenses 4:8

A vida está sempre nos impulsionando a tomar decisões, e tomá-las em meio aos nossos dilemas, dúvidas, percepções, momentos de vida, é algo desafiador.  Isso porque o homem não se dirige apenas por instinto, como é o caso dos animais irracionais, mas por livre escolha.
Essa livre escolha faz parte da natureza humana expressa através da vontade. Isso é algo imprescindível à nossa natureza: a vontade de viver, de trabalhar, de amar, de dar-se, de ser bem sucedido, ou outras tantas vontades.
Negar que somos seres cheios de vontade como querem algumas religiões, é negar a própria natureza humana. Aliás, essa percepção nos faz seres “diferentes e diferenciados” em toda a obra da criação.
Por isso, somos seres “morais”, capazes de distinguir entre o bem e o mal. Independentemente das categorias desenvolvidas nas mais diversas expressões culturais, o ser humano é capaz de distinguir dentro dessas categorias o bem e o mal.
Além disso, somos seres “livres”, capazes de realizar nossas escolhas e nos tornarmos responsáveis por elas.
Também somos seres “racionais”, pois somos capazes de compreender nossos atos, embora nos pareça que haja uma fuga premeditada dessa responsabilidade em muitos homens e mulheres em nossos dias, numa tentativa de justificar suas atitudes insanas e inconseqüentes.
Somos ainda, seres “espirituais”. Temos alma; somos dotados de sentimento. Embora muito se explore hoje sobre a busca de uma “espiritualidade”, cremos que essa busca tem muito pouco ou nada de profundidade suficiente para gerar transformação.
Concordo com a observação do escritor que diz: “Percebendo as misérias psicossociais ao seu redor e observando as notícias de cunho negativo saltitando todos os dias das manchetes dos jornais, o homem moderno começou a procurar por Deus. Ele, que não cria em nada, passou a crer em tudo. Ele, que era tão cético, passou agora a ser tão crédulo. É respeitável todo tipo de crença, porém é igualmente respeitável exercer o direito de pensar antes de crer, crer com maturidade e consciência crítica. O direito de pensar com consciência crítica é nobilíssimo.” Augusto Cury em “O Mestre dos Mestres”, Ed Academia de Inteligência.
Não podemos deixar de pensar sobre a responsabilidade que temos como indivíduos no exercício da vontade.
Por isso, gostaria de sugerir uma reflexão sobre a prática da vontade:

NOSSAS VONTADES CONTRADITÓRIAS

Você há de concordar comigo de que o homem tem simultânea ou sucessivamente vontades opostas entre si manifestando-se às vezes uma agora e outra depois, ou ambas acontecendo ao mesmo tempo.
Nossas incoerências ou inconsistências estão ai, sempre diante de nós.
Queremos ser felizes sempre, mas queremos amar condicionalmente; somos capazes de fazer juras de amor, e mais tarde trocar uma história de vida por uma aventura fortuita e inconseqüente.
Justificamos nossa auto-suficiência, prepotência, segurança, até vermos falir nossos projetos pessoais ante as circunstancias da vida, quando então queremos misericórdia, compreensão, tolerância, ajuda e apoio.
Queremos ser perdoados e compreendidos, mas estamos pouco dispostos a tal atitude diante do erro do outro.
Somos às vezes tão contraditórios que podemos manifestar o desejo de rejeitar o mal e abraçar o bem, ou rejeitar o bem e nos dispormos conscientemente ao mal.
Há ruídos e barulhos demais em nossos dias. Há muitas vozes que tentam nos confundir. E se você prestar atenção nelas constantemente, ficará tentado a abandonar princípios, a agir por impulsos, a agarrar tudo o que puder agora em busca do sucesso, a permitir que seus hormônios o guiem, a fazer escolhas egoístas.
O pior é que a principio você sentirá um misto de prazer e satisfação, mas, no final, vai experimentar a frustração, o desapontamento e a desilusão. Devemos somar a tudo isso, como agravante, a vontade alheia. Durante toda nossa vida, consciente ou inconscientemente, sabendo ou não sabendo, estamos sujeitos a vontade alheia e dela recebemos constante e forte influência.
É a propaganda subliminar ou mesmo ostensiva; é a literatura de qualidade e compromisso questionáveis; são as artes; o discurso e a persuasão; a insistência e a saturação; e mentira e o engano; a chantagem e a manipulação.

A DECISÃO FINAL

Nunca perca de vista que a decisão final está no exercício da vontade própria. Ela é algo tão importante e tão determinante que tanto o bem como o mal a respeitam e tentam atraí-la e dobrá-la. Ela é determinante para nossas escolhas. Ela é um direito inerente ao ser humano e, conseqüentemente, iremos colher os resultados dessa decisão. Por isso, mais do que um ato intelectual, nossas escolhas se traduzem em um ato moral. A recomendação do apóstolo Paulo faz todo o sentido na busca da coerência entre o conceito e a prática do exercício da vontade. Ela representa uma decisão.
Quero desafiá-lo a manter uma perspectiva eterna em relação a suas escolhas no exercício da vontade – siga e persiga o caminho de Deus para sua vida!
O grande segredo do exercício da sua vontade é alinhar a vontade própria com a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2).
É buscar uma sintonia final entre a sua vontade e a vontade de Deus para você. É só querer para você o que for a vontade de Deus. É uma rendição voluntária; uma transformação interna; um crescimento constante e continuo.
Talvez, em muitos momentos, você precisará considerar que suas prioridades serão diferentes das prioridades de seus companheiros - não desista.
Esse caminho será a rota mais confiável quando a vida ficar complicada.
Mas saiba, você poderá viver momentos difíceis, mas você jamais se arrependerá dessa escolha.
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,

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Rev. Hilder C Stutz

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