Entre terremotos e tsunamis

O mundo nunca viu uma tragédia sob tantos ângulos e com tanta riqueza e intensidade de imagens como a tragédia que atingiu o Japão na última sexta-feira, dia 11/03. À medida que as imagens iam sendo e continuam a ser divulgadas causam perplexidade e mostram-se aterradoras e catastróficas.
Chega a ser inimaginável cenas com a magnitude e amplitude com que a natureza, através do terremoto seguido do tsunami, atingiu centenas de milhares de pessoas principalmente ao norte daquele país.
Quanto tempo ainda para se contar os mortos? Quanto tempo para curar os feridos e as feridas externas e principalmente, internas dos vitimados pela tragédia? Quanto tempo e recursos para reconstruir tamanha destruição?
Não há quem possa ficar incólume ante tanta tragédia, mesmo que distante. Não há como não refletir sobre situações como essas, mesmo que possam parecer inverossímeis (improváveis) à nossa realidade brasileira.
Gostaria de propor algumas observações:

I - AS TRAGÉDIAS SÃO POSSIBILIDADES REAIS

A verdade é que elas estão aí. Apresentam-se das mais diversas formas; nos mais variados contextos; ante as situações que podem estabelecer-se com diferentes graus de complexidade. Não são seletivas – atingem indistintamente, independentemente de classe social, currículo profissional, formação acadêmica, cor, raça, etc. Podem ser aprofundadas, ou seja, o seu primeiro momento pode não ser o seu pior momento. As coisas podem piorar, transformando-se numa sucessão de tragédias.
O texto sugerido descreve com muita propriedade situações como a que assistimos estarrecidos: “Um abismo chama outro abismo, ao estrondo medonho de uma queda e uma corrente impetuosa de águas; todas as tuas ondas e elevações passaram sobre mim” Salmos 42:7
Você consegue identificar essa situação?
O que podemos aferir é que o texto descreve uma situação que pode fazer-se presente na vida de qualquer um de nós. Por outro lado, embora possam apresentar-se atingindo de forma generalizada muitas pessoas, as marcas, cicatrizes e conseqüências são pessoais, individuais e particularizadas. Deixam e escrevem histórias pessoais cuja extensão, profundidade, seqüelas, só podem ser auferidas individualmente.

II – REAVALIE SEUS CONCEITOS

É interessante outra observação desse episódio.
O Japão é um país acostumado a centenas de abalos sísmicos ao longo de sua história, inclusive sua história recente. Suas edificações são feitas para suportarem esses abalos.
Daí toda uma estrutura de prevenção e treinamento para situações de tragédias. Talvez isso explique a maneira como os japoneses demonstram sua reação ante o acontecido.
Mas, até onde vão esses limites? Será que os conhecemos realmente?
Interessante observar-se as manifestações de outras nações na reavaliação de seus critérios de segurança no uso da energia nuclear, diante do acidente ocorrido.
Quando assistimos a tragédia do outro podemos buscar a reavaliação de nossos conceitos, nossas escolhas, decisões, atitudes e comportamentos.
Isso deve estender-se não apenas no campo da nossa relação com o mundo, com a natureza, mas também com nossa relação com os que nos cercam, que ocupam dimensões mais profundas em nossas vidas.
Não espere a tragédia bater à sua porta para rever seus conceitos, e reconhecer o valor e sua escala daquilo que, efetivamente, tem valor.

III – RECONHEÇA SUA FRAGILIDADE

Ouvia o testemunho de um senhor já idoso diante da tragédia. Ele dizia que, além de sua tragédia pessoal, era preciso ver o todo e todos ao redor. Essa maneira de ver o impulsionaria para frente.
“Aqueles que seguem em frente apenas quando as coisas estão a seu favor nunca serão bem-sucedidos em seus esforços. O valor de uma realização cresce em meio a lutas, dificuldades, obstáculos e incompreensões”. Richard Honner, (diretor de cinema estadunidense, nascido em 1930).
Viva os seus desafios a cada dia.
Busque ajuda! Quantos são os que se perdem (se afundam financeiramente, perdem a família, a saúde, os relacionamentos) do alto de sua arrogância, falta de humildade e coragem de reconhecer as “fragilidades nossas de cada dia”.
"Se você quer realmente medir a realização de um homem ou de uma mulher, não meça por aquilo que eles realizaram nas suas vidas, mas meça em função daquilo que eles tiveram de superar em suas vidas”. Brooke T. Washington (pastor episcopal)
Busque quietude! “Aprenda que há momentos em que falar é violar o próprio momento... quando o silêncio representa o mais alto respeito. A palavra para tais momentos é reverência” Max Lucado em “Gente como a Gente”, Ed Thomas Nelson Brasil, pág 186
Em muitos momentos, onde nossas fragilidades se apresentarem, demonstraremos muito mais sabedoria na quietude do que em respostas. Temos a tendência de buscar culpados e de auto justificar-nos.
Busque a Deus! Veja nas circunstancias a oportunidade não apenas de encontrar respostas a elas, mas de encontrar direção e força para reagir a elas. Aquele em quem cremos não é um Deus impessoal, frio e indiferente. Ele é um Deus verdadeiro, criador, que intervém, participa e conhece as dores e os dramas da nossa vida.
Podemos passar por terremotos e tsunamis existenciais, mas podemos ter a convicção de fé de que Deus estará conosco e haverá de nos sustentar.
Creia isso! Deseje isso!
Que Deus o abençoe rica e abundantemente!
Em Cristo,

Hilder C Stutz

Comentários

Postagens mais visitadas