Pode a dúvida trazer algum benefício?

E, prontamente, Jesus, estendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste? (Mt 14:31)

Quem nunca teve duvidas? Ela certamente é algo que nos acompanha e que, independente de nossa idade, formação, ou outro fator qualquer, parece estar de forma inequívoca, presente em nossa vida. William Shakespeare escreveu que “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”.
René Descartes (filósofo, físico e matemático francês do Séc XVI, tido como fundador da filosofia moderna) disse: “Não posso duvidar de que duvido no instante em que duvido”.
Mais tarde, o movimento chamado empirismo (John Locke e David Hume) questionaria essa lógica de Descartes: “A dúvida não é um estado: é uma sucessão e coexistência de estados antagônicos”. (Descartes e a Psicologia da Dúvida, texto da Academia Brasileira de Filosofia, RJ, maio/1996).
Meryl Streep, num filme de 2008 “Dúvida”, diz que: “A dúvida pode ser um elo tão poderoso quanto a certeza”. Elas podem dizer respeito a nós mesmos (situações, decisões, percepções, momentos), como por exemplo, decisões em nosso trabalho, ou por causa de nosso trabalho, ou até mesmo, pela ausência dele.
Pode dizer respeito a outras pessoas, objeto de nossos relacionamentos, nosso convívio.
Não é incomum vermos pessoas fazendo afirmações diante de suas dúvidas, cujo conteúdo nem elas mesmas acreditam, ou creditam algum valor, traduzindo uma certa incoerência comportamental entre duvida, medo, ou insegurança.
Alguns ainda vivem dúvidas existenciais, do tipo: afinal, para que estou aqui? Por que existir? Qual é o meu papel nesse mundo? Que escolha tomar?
E ainda, podem dizer respeito à nossa experiência de fé. Em quem cremos? Em que cremos? Deus? Quem é Deus? De que Deus estamos falando?
Mas, será que a dúvida pode trazer algum benefício? Podemos encontrar algum fator positivo ao percebê-la?

I – PRECISAMOS ENTENDER SEUS MOTIVOS
A verdade é que talvez tenhamos motivos para estar rodeado de nossas dúvidas. Talvez nossas dúvidas apresentem motivações válidas, pois só você sabe, com suas complexidades e nuances intimas e pessoais, os eventos pelos quais você tem passado ou as experiências que você tem vivido.
Talvez haja motivos verdadeiros que nos fazem nos encher de culpa, expondo nossas fragilidades e incompetências.
Talvez ainda nossos fracassos justifiquem nosso desespero, nossos medos, e principalmente porque nos expõe ao confronto e comparações ante a realizações de outros ao nosso redor.
Minhas dúvidas podem expressar meu sentimento de impotência diante das minhas próprias obrigações pessoais, domésticas ou profissionais.
Elas podem fazer-me pensar ou perceber que minhas dificuldades ou provações são tão peculiares, aterradoras, longas e variadas que não encontro sequer parâmetro algum ao meu redor, que possa oferecer-me um referencial qualquer.
O Salmista Davi expressa esse sentimento dizendo: “Bate-me excitado o coração, faltam-me as forças, e a luz dos meus olhos, essa mesma já não está comigo.” (Sl 38:10)
Quem sabe, talvez, nós tenhamos que seguir os verdadeiros motivos de nossa dúvida.
Isso porque, somos autoconfiantes, e essa confiança falhou. É aquele sentimento de que não podia dar errado, e deu. E agora, o sentimento de fracasso se instalou.
Olhamos em demasiado para as coisas, para as circunstancias, vistas apenas à luz de nossos sentimentos ou em relação ao nosso meio; e agora, como está tudo escuro, demasiadamente opressor, nos sentimos, então, perturbados e acovardados.
 
II– PRECISAMOS APRENDER A REAGIR DIANTE DA DÚVIDA
O poeta Carlos Drummond de Andrade disse que “Há muitas razões para duvidar e uma só para crer”. Sinceramente, não sei exatamente o contexto em que o poeta escreveu essa afirmação, nem qual a perspectiva do que para ele significava “crer”.
No entanto, tomo emprestado sua afirmação para expressar a melhor resposta que você pode dar diante de suas dúvidas: entregue-as diante de Deus!
“Entregue suas dúvidas a Deus. Ele dará o que você precisa para manter um compromisso de fé”. Craig Groeschel em “Confissões de um pastor”, Ed Mundo Cristão, pág 129.
Essa é a boa noticia ou, o benefício que você pode extrair de suas dúvidas.
Exponha-as a Deus. Elas não O assustam, pois Ele é suficientemente grandioso para lidar com todas elas.
Como escreveu Philip Yancey, “desafio os céticos a encontrarem um único argumento usado com Deus pelos grandes agnósticos – Voltaire, David Hume, Bertrand Russel – que não esteja presente em livros bíblicos como Habacuque, Salmos, Eclesiastes, Lamentações ou Jó. Essas marcantes passagens bíblicas expressam a angustia do deslocamento: da mágoa e da traição, da vida sem sentido, de Deus que parece não se importar ou nem seque existir. Essas acusações presentes na própria Bíblia têm estrutura de uma oração.” (“Oração, ela faz alguma diferença?” Ed Vida, pág 48).
Por isso mesmo, não tenha medo de fazer perguntas difíceis a Deus. Mas, não deixe de fazer a sua parte. Leia e estude as Escrituras. Busque respostas. Saiba: Sua busca vai aprimorar sua fé. Duvida dEle sim, é loucura. Crer nEle é sabedoria!
“Nunca duvide de Deus, até que você tenha motivo para tanto; e então você nunca duvidará dEle, enquanto você tiver vida”.
Que Deus o abençoe rica e abundantemente,
Em Cristo,
Rev. Hilder C Stutz

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