A morte nos faz pensar sobre eternidade

- Texto para reflexão: Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens e os vivos o aplicam ao seu coração (Eclesiastes 7.2).

Há um livro extremamente precioso de Henri Nouwen Nossa maior dádiva - Meditação sobre o morrer e o cuidar. Um dos mais inspirados escritores espirituais de nosso tempo, Henri Nouwen lança um olhar emocionado à mortalidade humana.
À medida que conta suas próprias experiências com o envelhecimento, a perda, o pesar e o medo e reflete sobre sua fé na vida e ensinamento de Cristo, Nouwen sugere com beleza e suavidade que o viver e o morrer podem se tornar dádivas de cada de um de nós para nosso semelhante.
Nossos pensamentos e sentimentos, nossas palavras e escritos, nossos sonhos e visões não são exclusivamente nossos. Estes pensamentos e sentimentos pertencem a todos os homens e mulheres que já morreram, mas continuam a viver dentro de nós.
As vidas e as mortes dessas pessoas ainda estão dando frutos em nossa vida. Sua alegria, esperança, coragem, confiança não morreram com elas, mas, continuam a florescer nos corações daqueles que estão ligados a elas pelo amor. Nessa comunhão de vida que suplanta e dá sentido à morte, veremos que nossas mortes também darão frutos na vida de todos aqueles que viverão depois de nós.
Este é um assunto importante para Salomão porque ele entende a morte como um processo que nos ajuda e meditar mais e a valorizar mais a sabedoria divina.
Salomão mostra que o dia da morte do cristão é melhor do que o dia do seu nascimento. Contudo, o seu nascimento foi essencial para que o dia da sua morte seja melhor. Todos os dias do cristão em Cristo sobre a terra são bons, mas estar com Cristo na glória eterna será melhor.
Paulo foi abençoado em Cristo na terra, mas, o ápice da bênção para ele era estar com Cristo na glória. Ele disse: Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne (Filipenses 1.21-24).
Algo que nos faz refletir sobre o dia do nascimento de alguém é que o nascimento traduz a depravação na raça humana que está neste mundo. Quando olhamos para as palavras de Davi percebemos algo sério: Eis que em iniqüidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe (Salmo 51.5). Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras (Salmo 58.3).
A vida passa sempre pelo processo de depravação. Então temos guerras, tristezas, doenças, violência, poluição, a vida de algumas pessoas que permanecem num ódio cruel. Vemos a natureza gemendo e aguardando a sua redenção exatamente por causa desta depravação, desta situação que a culpa de Adão e Eva causou na criação.
Daí a nossa conclusão quando Salomão fala que a morte é melhor do que o dia do nascimento é que a morte remove essa depravação de nós no sentido de não estarmos mais neste corpo de corrupção. Quando analisamos desta maneira entendemos o que Paulo quer dizer quando afirma: Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é ganho.
Um texto que me chama a atenção é o que Jó disse no capítulo 14.1-2: O homem, nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio de inquietação. Sai como a flor e se seca; foge também como a sombra e não permanece.
A reflexão de Jó neste texto é que nenhum estágio da vida, da infância à sepultura é isento de inquietações. A vida humana é lisonjeira em seu princípio, pois, ela vem como uma flor, mas ela é breve vai embora e parte sem retorno.
A morte leva o cristão a repensar sobre os aspectos da eternidade. Salomão fala que na casa do luto se vê o fim de todos os seres humanos. Na hora da morte pensamos mais sobre a eternidade e sobre o nosso estado espiritual.
A realidade da morte nos faz repousar na certeza de que há um descanso eterno para nós como o Livro de Apocalipse afirma no capítulo 14.13: E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito para que descansem dos seus trabalhos e as suas obras os sigam.
Neste texto aprendemos que a morte é a entrada para a perfeição ou glória eterna. Aprendemos que na casa do luto somos mais autênticos e entendemos melhor o significado real da morte. No meio da alegria e da festa refletimos menos sobre o verdadeiro significado da vida, que é o encontro com o divino.
Isto me faz lembrar de um belo filme que vi há algum tempo Encontro Marcado
[1]. Alguns dias antes de completar 65 anos, William Parrish (A. Hopkins) começa a perceber sinais de que sua morte está próxima. Poucos dias depois ele recebe a visita da própria morte que tomou o corpo de um jovem (Pitt) e assumiu a identidade de Joe Black.
A morte intrigada com o temor que causa as pessoas faz um acordo com Parrish, vai acompanhá-lo por alguns dias para descobrir a razão desse medo e conhecer mais sobre a vida dos mortais. Há uma grande lição no filme quando Parrish aprende muito mais sobre o significado de si mesmo através da realidade iminente da morte.
Talvez seja por isso que Salomão afirma para nós que o coração dos sábios está na casa do luto. Porque neste local pensamos mais seriamente sobre os valores do Reino de Deus. Pensamos sobre a nossa limitação da vida. Pensamos mais sobre a necessidade de buscarmos um relacionamento mais profundo com aquele que é dono da nossa vida e respiração.
Pensamos melhor sobre o cuidado com o prazer que passa tão rápido sobre nós. Pensamos que não somos infinitos aqui na terra. Um dia a nossa respiração se findará e nos encontraremos de fato com o criador celestial.
Você tem pensado sobre a sua vida na presença de Deus?
Você tem pensado que hoje pode ser o último dia de respiração?
Diante desta realidade você está preparado para se encontrar com o criador?
__________
[1] Filme: Encontro Marcado. (Meet Joe Black, EUA - 1998). Atores: Brad Pitt (Joe Black). Anthony Hopkins (William Parrish). Claire Forlani (Susan Parrish). Direção: Martin Brest.

Comentários

MARCELO disse…
BOA NOITE
REVERENDO ALCINDO ALMEIDA
TENHO ACOMPANHADO SEU TRABALHO PELA EDITORA QUE PUBLICA SEU LIVRO GOSTARIA UM DICA DO AMADO IRMÃO
PARA PUBLICAR LIVRO POR ESSA EDITORA QUAL O PROCESSO TEM QUE SE PAGAR PARA PUBLICAR OU NÃO
SE ME PUDER DESCREVA PRA MIM COMO FUNCIONA ESSE PROCESSO AS ETAPAS DE PUBLICAÇÃO SE DEMORA MUITO
OBRIGADO
VOU COMPRAR UM DOS SEUS LIVROS ENCONTROS COM JESUS

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