AMOR QUE CONSTRANGE

- Texto para reflexão: Pois o amor de Cristo nos constrange (II Coríntios 5:14).

Uma das características mais presentes em nossa sociedade tida moderna, principalmente em cidades metropolitanas como a nossa, é a de se manter distante uns dos outros, principalmente se essa proximidade tem algum potencial de gerar qualquer tipo de compromisso ou comprometimento.
Podemos até nos conhecer, mas nada que nos torne próximos.
Podemos até partilhar algumas idéias, mas nada que nos atrele a algo ou alguém.
Podemos até sermos gentis, sorridentes, e até mesmo amáveis no trato, mas nada além de uma solidariedade alijada e distante o suficiente para evitar qualquer tipo de aproximação que comprometa ou incomode.
Por que tentamos negar com atitudes e escolhas a verdade de que necessitamos uns dos outros?
Por que resistir à verdade de que somos seres sociais e, portanto, por mais complexo que esse fato se torne, devemos contribuir para que esse convívio seja o mais saudável possível?
Alguém já disse que “fazemos melhor quando fazemos juntos”.
Salomão nos ensina que “melhor é serem dois do que um” (Ec 4:9).
Na tentativa de negarmos essa necessidade, adotamos e postulamos condutas que refletem superficialidade e tornam os relacionamentos cada vez mais descartáveis, utilitaristas e um bem surreal para muitos.
O homem passa a confundir crescimento com auto-suficiência. Confundir independência com descompromisso.Mas, isso não precisa ser necessariamente assim.
Cremos que podemos fazer escolhas pessoais que nos remontem a construção da nossa própria experiência de vida.
Podemos fazer escolhas sociais que sejam capazes de produzir e exercitar valores que nos remontem a uma vida mais saudável e capaz de edificar-nos mutuamente.
Há cerca de uma semana retornei de uma viagem de trabalho onde participei de uma Conferencia Global sobre projetos de plantação de igrejas em diversos países do mundo, promovida anualmente pela Spanish River Church, Boca Raton, FL, USA.
Em seguida fomos a St Augustine, também na Flórida, visitar uma outra igreja parceira nesses projetos – Good News Church, onde passamos um final de semana incrivelmente intenso.
Menciono isso por um sentimento imenso de gratidão que invadiu o meu coração pela maneira como fomos recebidos, acolhidos e amados por aqueles irmãos, muitos que sequer conhecíamos e que, não obstante, marcaram nossa vida de forma especial.
Ali estavam expostas, entre tantas atitudes positivas, três que gostaria de destacar:
I - GENEROSIDADE
Num mundo marcado por atitudes calcadas em interesses, experimentamos uma generosidade sem limites.
Marcadas por gestos, sorrisos, abraços, desejo de se conhecer e de partilhar sonhos, atitudes espontâneas e cheias de liberalidade.
Gostaria de desafiá-lo a uma atitude de generosidade em seus relacionamentos. Essa atitude vai produzir, com certeza, relacionamentos mais enriquecedores, motivadores e transformadores no outro, bem como em você mesmo.
Sua generosidade deve ser desprovida de qualquer outro interesse senão produzir e gerar bem estar no outro. Isso é revolucionário!
II - HOSPITALIDADE
É acolher o outro de forma tão espontânea e intensa que o faça sentir-se “em casa” e não um incomodo.
Essa atitude é mais que a liberação de um espaço físico dentro da casa. Mas, de um espaço na agenda, na vida, no coração. Um compromisso com o bem estar do seu hóspede; uma satisfação capaz de fazer-lo sentir-se bem naquele ambiente, ao ponto de não se sentir um “estranho naquele ninho”.
III – AMOR CONSTRANGEDOR
David Hubbard em “The Problem With Prayer Is...” escreve: “A mais pura forma de amor é dispensada sem nenhuma expectativa de retorno”(citado por Phillip Yancey em “Oração, ela faz alguma diferença?”).
O verdadeiro amor se manifesta assim.
A verdadeira doação é dar-se por inteiro sem restrições ou condições.
É tão bom e renovador quando você pode sentir-se amado.
E o que fazer diante desse amor?
Mostre gratidão. É o que o meu coração se propôs a fazer em relação a esses amigos e irmãos tão preciosos. Como disse Jean Kerr: “As pessoas podem se esquecer daquilo que você diz, mas elas jamais se esquecem daquilo que você faz”.
Tenho feito da minha oração o mais precioso ato de amor por essas vidas.
Gratidão que tenta aquecer o coração de quem recebe e que reconforta e alimenta de vida quem oferece. Isso mesmo, pois a gratidão é o traço emocional com mais probabilidades de favorecer a saúde física, emocional e relacional entre as pessoas.
Pessoas gratas tendem a ser mais felizes e mais satisfeitas com a vida, e podem de fato ter uma vida mais longa dizem os especialistas. “Um coração agradecido tem a possibilidade de ser um coração saudável”. Robert A. Emmons (Revista Spirituality and Medicine Connection, 2001).
Se você não é capaz de demonstrar amor, você ainda não compreendeu a coisa principal da vida.
E é isso que o Evangelho nos ensina. Nas palavras do apóstolo Pedro “um amor fraternal não fingido” (I Pe 1:22).
Ou, nas palavras do apóstolo Paulo: “Pois o amor de Deus nos constrange”.(II Co 5:14)
Viva isso como um desafio em relação ao seu semelhante, na pessoa daqueles com os quais convive. E, responda ao amor constrangedor de Deus que nos foi e tem sido mostrado em Jesus Cristo. Que Deus o abençoe rica e abundantemente. Em Cristo,

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Pr. Hilder C Stutz

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