Não nos apeguemos ao terreno que é transitório



Salomão afirma em Eclesiastes 1.1-10:
Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém. Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol? 4 Uma geração vai-se, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre. O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce. O vento vai para o sul, e faz o seu giro vai para o norte; volve-se e revolve-se na sua carreira, e retoma os seus circuitos. Todos os ribeiros vão para o mar, e, contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios correm, para ali continuam a correr. Todas as coisas estão cheias de cansaço; ninguém o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Você, isto é novo? Ela já existiu nos séculos que foram antes de nós.

Vejam o que Salomão afirma: Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?
O que significa vaidade?
Significa a palavra sopro, um bafo de vento, nada. O bafo de um vento vai e vem. Assim é aq vida humana na perspectiva do sábio homem de Deus. A vida é vã e inútil no sentido de duração. E tudo que a vida humana conquista de material, na hora da morte nada se leva e nada se aproveita.
Vejam as palavras de Salomão como fazem sn etido para nossa reflexão. Ele diz que uma geração se vai e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre. O homem passa, mas a terra permanece. Ele diz que o sol nasce e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce. Ele diz que o vento vai para o sul e faz o seu giro vai para o norte; volve-se e revolve-se na sua carreira, e retoma os seus circuitos. Ele diz que todos os ribeiros vão para o mar e, contudo, o mar não se enche; ao lugar para onde os rios correm, para ali continuam a correr.
Ele afirma que todas as coisas estão cheias de cansaço; ninguém o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
Já parou para pensar neste discurso? Uma geração vai-se e outra geração vem. Todos nós passaremos nesta vida. Não tem jeito a dar. Um dia a morte nos pegará em algum momento da vida. Então pensemos nas buscas e correrias que temos na vida?
Trabalhamos 10 horas, 15 horas, corremos para ganhar dinheiro e mais dinheiro. E o que vale tudo isto?
Nada, nada, nada porque uma geração vem e vai.
Na primeira metade de Mateus 6.1-18 Jesus descreve a vida particular do cristão "no lugar secreto" (dando, orando, jejuando); na segunda parte- nos versículos 19 a 34 ele trata dos nossos negó­cios públicos no mundo (questões de dinheiro, de propriedades, de alimento, de bebida, de roupa e de ambição). Os mesmos contrastes poderiam ser expressos em termos de nossas respon­sabilidades "religiosas" e "seculares".
Esta diferença é enganosa porque não podemos separar estes dois aspectos em compartimentos herméticos. Se somos cristãos, tudo o que fazemos, por mais "secular" que pareça (como fazer compras, cozinhar, fazer cálculos no escritório, etc), é "religioso", no sentido de que é feito na pre­sença de Deus e de acordo com a sua vontade.
Uma ênfase de Jesus neste capítulo é exatamente sobre este ponto, que Deus está igualmente preocupado com as duas áreas da nossa vida: a particular e a pública; a religiosa e a secular. Pois, de um lado, "teu Pai celeste vê em secreto" (versículos 4, 6, 18) e, de outro, "vosso Pai celestial sabe que necessitais de alimento, bebida e roupa" (versículo 32).
Na verdade, Jesus mostra alternativas diante de nós em cada estágio. Há dois tesouros (na terra e no céu, vs. 19-21), duas condições físicas (luz e trevas, vs. 22, 23), dois senhores (Deus e as riquezas, versículo 24) e duas preocupações (nosso corpo e o reino de Deus, versículos 25-34). E não podemos pôr os pés em duas canoas!
Como lidar com a realidade material e espiritual?
Qual a nossa verdadeira vocação na vida? Onde podemos achar tranqüilidade de mente para poder escutar a voz de Deus que chama? Quem pode guiar-nos através do labirinto interior dos nossos pensamentos, emoções, e sentimentos? Estas e muitas outras indagações semelhantes expressam um profundo desejo de viver uma vida espiritual, mas ao mesmo tempo uma grande obscuridade sobre seu significado e prática (NOUWEN, 1984, p. 3).
Diante desta realidade encontramos um texto no Sermão da Montanha que pode fazer novas todas as coisas com relação ao futuro, com relação à nossa existência, com relação à nossa sobrevivência. Um texto que nos ajuda a entender que a nossa meta não está nas coisas daqui, não está neste mundo passageiro, e sim na perspectiva do eterno. Está na perspectiva do Reino de nosso Pai. Está em depender tão somente da ação dele, da vontade dele, do bom prazer dele. Um texto que nos ajuda a não nos envolver com a questão valor material que tanto tem levado os crentes de hoje a dar muito valor para a estética, para os valores externos mais do que os interiores. Um texto que nos ajuda a perceber que temos nos distanciado das coisas de Deus. Pois, a busca por coisas da terra, faz com que invistamos menos tempo na causa do nosso Deus.
NOUWEN, Henri. Cartas a Marc sobre Jesus. São Paulo: Loyola, 1999.
Alcindo Almeida

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