Em Cristo Deus nos torna seres relacionais e não seres isolados na vida


- Texto para reflexão: É melhor haver dois do que um, porque duas pessoas trabalhando juntas podem ganhar muito mais (Eclesiastes 4.9).
Há uma frase de Aristóteles que nos leva a refletir seriamente sobre amizade. A frase diz assim: "Amigos verdadeiros são um refúgio seguro". (MAXWELL, John C. O valor de uma amizade. São Paulo: United Press, 2006, p. 44).
Salomão fala agora da miséria que governa o mundo (CHAMPLIN, 2005, p. 2716). Salomão fala que olha de novo para toda a injustiça que existe no mundo. Ele afirma que vê muitos sendo explorados e maltratados. Esses choram, mas ninguém os ajuda. Salomão chega a uma conclusão: os que morreram são mais felizes do que os que continuam vivos. E são mais felizes do que todos os que ainda não nasceram e que ainda não viram as injustiças que há no mundo. Mas, Salomão detecta algo que predomina como individualismo na vida humana. No versículo quatro ele afirma que descobriu por que as pessoas se esforçam tanto para ter sucesso no seu trabalho. É porque querem ser mais do que os outros. E ele diz que tudo isso é ilusão. É tudo como correr atrás do vento.
Isso tem a ver com algo chamado competição, rivalidade, a produção na vida não é por uma razão nobre e sim para ultrapassar outros homens. E nessa perspectiva Salomão dirá que descobriu que na vida existe mais uma coisa que não vale a pena: é o homem viver sozinho, sem amigos, sem filhos, sem irmãos, sempre trabalhando e nunca satisfeito com a riqueza que tem. E no final do versículo oito ele afirma que isso é ilusão e uma triste maneira de viver. Então Salomão nos ensinará como devemos olhar para a vida comunitária. Como devemos viver de maneira alegre. Como devemos encarar o outro que está ao nosso lado e como devemos investir nas amizades de maneira sincera e leal.
Salomão afirma no versículo nove: É melhor haver dois do que um, porque duas pessoas trabalhando juntas podem ganhar muito mais.
Surge uma pergunta para o nosso coração: o que significa a encarnação de Jesus?
É o caminho da descendente em que Deus vem até nós para se tornar humano como nós. E uma vez entre nós desceu ao desamparo total dos condenados à morte. Cada fibra do nosso ser é resgatada com a encarnação de Jesus aqui na terra (NOUWEN, Henri. Cartas para Marc. São Paulo: Loyola, 1999, p. 39). Antes o homem era um indivíduo egoísta e fechado em si mesmo. O homem não tinha referencial de pessoalidade integral. Ele era movido por uma essência de puro individualismo. Daí Deus envia o seu próprio Filho para nos ensinar o que significa ser pessoa. Ser pessoa significa ter o outro ao nosso lado, significa construir como reflexo da própria Trindade um caminho do companheirismo, no qual seres humanos podem alcançar uma vida de comunhão e celebrá-la na presença do criador com alegria e regozijo no coração.
A proposta de Salomão é a da cruz de Jesus. Ele não viu a cruz, mas ele já entendia o significado dela. A proposta da cruz é: É melhor haver dois do que um.
A solidão é estancada quando vem a cruz de Jesus porque nela ele reúne um povo para ser pessoal e amoroso. Um povo para não andar só e sim ao lado do outro. A cruz nos convida para a relação a dois, a três. A cruz nos conduz para esse caminho que nos faz somar juntos, nos faz andar na conquista do outro. Esse é o ideal de Deus para nós quando nos casamos. Sermos um na unidade e no relacionamento. Esse é o ideal de Deus na vida da igreja porque essa prática destrói a inveja, a disputa. Porque a luta é para dois e não para um só. Na vida relacional é lucro é para dois e não para o individualismo carrasco que traz tristeza. Na vida relacional é necessária a idéia de ajuda mútua porque sozinho o homem pode falhar, mas com o outro a possibilidade de vitória é maior, a possibilidade do sucesso é muito mais marcante do que só.
O individualismo traz um sucesso solitário enquanto que o relacionamento na comunidade traz alegria e ações de graças diante do criador. A cruz de Cristo é o grande elo para percebermos que é melhor sermos dois do que um. Cristo nos mantém unidos e nos faz voltar para a centralidade para a qual fomos criados: seres pessoais, seres relacionais. É melhor serem dois na vida da IPP do que um. Os irmãos não trabalham para uma causa chamada de individualismo. Trabalham por uma causa chamado Reino e Reino é sempre relacional.
Temos na nossa comunidade uma Associação Beneficente chamada de: Betsaida. Entendemos que a existência dela é para dois e não para um. O trabalho missionário da nossa comunidade (Grupo de Apoio Missionário - GAM) é para dois e não para um. Saibamos dessa realidade para pensarmos nos projetos de Deus para a vida comunitária. Não vivamos sozinhos na vida, mas na perspectiva da cruz que abraça, que ajunta e que faz ter mais de um. É vida de companheirismo que o Deus da relação nos chama a viver.


Alcindo Almeida
IGREJA PRESBITERIANA DE PIRITUBAR.

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